Jó 4

Elifaz

21 versículos · capítulo 4 de 42

Jó 4
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Jó 4 marca o início dos discursos dos amigos de Jó, com Elifaz, o temanita, tomando a palavra pela primeira vez. Ele lembra a Jó que antes ajudava outros que sofriam, mas agora que a provação chegou até ele mesmo, se abala e se perturba. Elifaz defende a ideia de que os inocentes não costumam perecer e que o sofrimento geralmente é fruto da própria maldade, comparando isso à colheita do que se semeia. Ele ainda relata uma visão noturna misteriosa em que um espírito lhe fez a pergunta central do livro: seria o homem mais justo do que Deus, ou mais puro do que seu Criador?

1 Então respondeu Elifaz o temanita, e disse: Locutor: Elifaz Personagens: Elifaz

2 Se intentarmos falar-te, enfadar-te-has? mas quem poderia conter as palavras? Locutor: Elifaz

3 Eis que ensinaste a muitos, e esforçaste as mãos fracas. Locutor: Elifaz

4 As tuas palavras levantaram os que tropeçavam e os joelhos desfalecentes fortificaste. Locutor: Elifaz

5 Mas agora a ti te vem, e te enfadas: e, tocando-te a ti, te perturbas. Locutor: Elifaz

6 Porventura não era o teu temor de Deus a tua confiança, e a tua esperança a sinceridade dos teus caminhos? Locutor: Elifaz

7 Lembra-te agora qual é o inocente que jamais perecesse? e onde foram os sinceros destruídos? Locutor: Elifaz

8 Como eu tenho visto, os que lavram iniquidade, e semeam trabalho segam o mesmo. Locutor: Elifaz

9 Com o bafo de Deus perecem; e com o assopro da sua ira se consomem. Locutor: Elifaz Personagens: Deus

10 O bramido do leão, e a voz do leão feroz, e os dentes dos leõezinhos se quebrantam. Locutor: Elifaz

11 Perece o leão velho, porque não ha preza; e os filhos da leoa andam esparzidos. Locutor: Elifaz

12 Uma palavra se me disse em segredo; e os meus ouvidos perceberam um sussurro dela. Locutor: Elifaz

13 Entre imaginações de visões da noite, quando cae sobre os homens o somno profundo; Locutor: Elifaz

14 Sobreveiu-me o espanto e o tremor, e todos os meus ossos estremeceram. Locutor: Elifaz

15 Então um espírito passou por diante de mim; fez-me arrepiar os cabelos da minha carne; Locutor: Elifaz

16 Parou ele, porém não conheci a sua feição; um vulto estava diante dos meus olhos: e, calando-me, ouvi uma voz que dizia: Locutor: Elifaz

17 Seria porventura o homem mais justo do que Deus? seria porventura o varão mais puro do que o seu Creador? Locutor: Elifaz Personagens: Deus

18 Eis-que nos seus servos não confiaria, e aos seus anjos imputaria loucura: Locutor: Elifaz

19 Quanto menos naqueles que habitam em casas de lodo, cujo fundamento está no pó, e são machucados como a traça! Locutor: Elifaz

20 Desde a manhã até à tarde são despedaçados: e eternamente perecem sem que disso se faça caso. Locutor: Elifaz

21 Porventura se não passa com eles a sua excelência? morrem, porém sem sabedoria. Locutor: Elifaz

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Texto da tradução João Ferreira de Almeida — domínio público.