Jó 6

Job

30 versículos · capítulo 6 de 42

Jó 6
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Jó responde a Elifaz expressando o quanto sua dor é mais pesada do que a areia dos mares, o que explica suas palavras tão duras. Ele lamenta não ter recebido a compaixão esperada dos amigos, comparando-os a riachos que somem justamente quando mais se precisa deles, como os caminhantes de Temã e Sabá que buscam água e se decepcionam. Jó pede que seus amigos olhem com honestidade para sua situação e apontem, se puderem, algum pecado real que justifique tamanho sofrimento, defendendo que suas queixas não nascem de mentira, mas de angústia genuína.

1 Então Job respondeu, e disse: Personagens:

2 Oh se a minha magoa rectamente se pezasse, e a minha miseria juntamente se alçasse numa balança! Locutor:

3 Porque na verdade mais pesada seria, do que a areia dos mares: por isso é que as minhas palavras se me afogam. Locutor:

4 Porque as frechas do Todo-poderoso estão em mim, cujo ardente veneno me chupa o espírito: os terrores de Deus se armam contra mim. Locutor: Personagens: Deus

5 Porventura zurrará o jumento montez junto à relva? ou berrará o boi junto ao seu pasto? Locutor:

6 Ou comer-se-ha sem sal o que é insípido? ou haverá gosto na clara do ovo? Locutor:

7 A minha alma recusa tocal-o, pois é como a minha comida fastienta. Locutor:

8 Quem dera que se cumprisse o meu desejo, e que Deus me désse o que espero! Locutor: Personagens: Deus

9 E que Deus quizesse quebrantar-me, e soltasse a sua mão, e me acabasse! Locutor: Personagens: Deus

10 Isto ainda seria a minha consolação, e me refrigeraria no meu tormento, não me perdoando ele; porque não ocultei as palavras do Santo. Locutor:

11 Qual é a minha força, para que eu espere? ou qual é o meu fim, para que prolongue a minha vida? Locutor:

12 É porventura a minha força a força de pedra? Ou é de cobre a minha carne? Locutor:

13 Ou não está em mim a minha ajuda? ou desamparou-me a verdadeira sabedoria? Locutor:

14 Ao que está aflicto devia o amigo mostrar compaixão, ainda ao que deixasse o temor do Todo-poderoso. Locutor:

15 Meus irmãos aleivosamente me falaram, como um ribeiro, como a torrente dos ribeiros que passam. Locutor:

16 Que estão encobertos com a geada, e neles se esconde a neve. Locutor:

17 No tempo em que se derretem com o calor se desfazem, e em se aquentando, desaparecem do seu lugar. Locutor:

18 Desviam-se as veredas dos seus caminhos: sobem ao vácuo, e perecem. Locutor:

19 Os caminhantes de Tema os vêem; os passageiros de Sheba olham para eles. Locutor: Local: Tema

20 Foram envergonhados, por terem confiado e, chegando ali, se confundem. Locutor:

21 Agora sois semelhantes a eles: vistes o terror, e temestes. Locutor:

22 Disse-vos eu: Dae-me ou oferecei-me da vossa fazenda presentes? Locutor:

23 Ou livrae-me das mãos do opressor? ou redemi-me das mãos dos tiranos? Locutor:

24 Ensinae-me, e eu me calarei: e dae-me a entender em que errei. Locutor:

25 Oh! quão fortes são as palavras da boa razão! mas que é o que argue a vossa arguição? Locutor:

26 Porventura buscareis palavras para me reprehenderdes, visto que as razões do desesperado estão como vento? Locutor:

27 Mas antes lançais sortes sobre o órfão; e cavais uma cova para o vosso amigo. Locutor:

28 Agora pois, se sois servidos, virae-vos para mim; e vede se minto em vossa presença. Locutor:

29 Voltae pois, não haja iniquidade: tornae-vos, digo, que ainda a minha justiça aparecerá nisso. Locutor:

30 Ha porventura iniquidade na minha língua? Ou não poderia o meu paladar dar a entender as minhas misérias? Locutor:

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Personagens 1

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Texto da tradução João Ferreira de Almeida — domínio público.