Ester 3:8
“E Haman disse ao rei Assuero: Ha um povo espargido e dividido entre os povos em todas as províncias do teu reino, cujas leis são diferentes das leis de todos os povos, e tão pouco fazem as leis do rei; pelo que não convém ao rei deixal-os ficar.”
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O que este versículo diz
Haman apresenta seu caso ao rei com astúcia retórica. Fala de "um povo" — sem nomeá-lo — espalhado e disperso entre as províncias, cujas leis diferem das demais e que não cumpre as leis reais. A acusação mistura meia-verdade e distorção venenosa: é fato que os judeus tinham costumes próprios, mas daí a afirmar que desprezavam toda autoridade vai uma calúnia perigosa. Essa é a gramática antiga da perseguição: pintar a minoria como estranha, isolada e desleal, um corpo indesejável dentro do corpo do reino. Haman não menciona seu rancor pessoal; veste-o de zelo pelo interesse do Estado. "Não convém ao rei deixá-los ficar", conclui, sugerindo que tolerar tal povo seria imprudência política. O leitor reconhece nesse discurso um padrão que atravessa a história: a diferença apresentada como ameaça, a acusação genérica que dispensa provas. Contra isso, a fé nos chama a não julgar povos inteiros por rótulos, e a desconfiar de quem transforma a diversidade em suspeita.