Mateus 27:48
“E logo um deles, correndo, tomou uma esponja, e encheu-a de vinagre, e, pondo-a numa cana, dava-lhe de beber.”
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“E logo um deles, correndo, tomou uma esponja, e encheu-a de vinagre, e, pondo-a numa cana, dava-lhe de beber.”
O que este versículo diz
Em meio à incompreensão geral, surge um pequeno gesto de aparente cuidado: alguém corre, embebe uma esponja em vinagre — provavelmente o vinho azedo e barato dos soldados — e a oferece a Jesus numa cana. O ato tem dupla face. Pode conter um resquício de compaixão diante da sede do agonizante, mas Mateus o coloca junto ao clima de zombaria e espera curiosa dos demais. Novamente ressoa o Salmo 69, onde ao justo sofredor dão vinagre para beber, e a cena cumpre em silêncio aquilo que a Escritura anunciara.
O detalhe da sede humaniza profundamente Jesus. Aquele a quem se chamava Filho de Deus experimenta a mais básica das necessidades corporais em sua agonia. Para a meditação, vale notar o contraste: no meio de tanta hostilidade, um gesto ambíguo de água amarga é quase tudo o que ele recebe. Também nós somos chamados a oferecer alívio concreto a quem sofre — mas com ternura genuína, e não como espectadores curiosos diante da dor alheia.