Mateus 27:15

Mateus 27:15
“Ora, por ocasião da festa, costumava o presidente soltar um preso, escolhendo o povo aquele que quizesse.”
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O que este versículo diz

Mateus introduz um costume: por ocasião da festa — a Páscoa, quando Jerusalém se enchia de peregrinos — o governador soltava um preso escolhido pelo povo. Esse gesto de clemência funcionava como válvula de alívio político, um modo de agradar a multidão em dias de grande tensão nacional. Fontes fora do Evangelho não documentam amplamente essa prática específica, mas ela é coerente com a lógica romana de administrar províncias difíceis com concessões calculadas.

O detalhe prepara o dilema que virá. Pilatos, pressentindo a inocência de Jesus, enxerga na tradição da anistia uma possível saída para se livrar de uma condenação que lhe pesa. Para o leitor, começa a se desenhar o retrato de um homem que busca escapar da própria responsabilidade por meios indiretos, delegando à multidão uma escolha que caberia à sua consciência e à sua autoridade. É um alerta: transferir aos outros as decisões difíceis que nos cabem raramente nos livra da culpa; apenas a adia e a agrava.

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