João 18:38
“Disse-lhe Pilatos: Que é a verdade? E, dizendo isto, tornou a sair para os judeos, e disse-lhes: Não acho nele crime algum;”
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“Disse-lhe Pilatos: Que é a verdade? E, dizendo isto, tornou a sair para os judeos, e disse-lhes: Não acho nele crime algum;”
O que este versículo diz
Pilatos responde com uma das frases mais célebres e trágicas dos Evangelhos: que é a verdade. E, sem esperar resposta, torna a sair. A pergunta pode ser cínica, o desabafo de um homem cansado que já não acredita em verdades absolutas, ou pode ser um lampejo de inquietação sincera. Em qualquer caso, ele se afasta antes de receber a resposta, embora a Verdade em pessoa estivesse diante dele.
Há aqui um retrato pungente da alma humana que tangencia Cristo mas recua diante do compromisso que ele exige. Pilatos declara, contudo, o que sua consciência percebe: não acho nele crime algum. É um veredicto de inocência, o primeiro de vários que o próprio juiz pronunciará e, ainda assim, não terá coragem de sustentar. Para o leitor, a cena é um espelho. Perguntar pela verdade sem parar para ouvi-la é o drama de muitas vidas. E reconhecer a inocência de alguém sem ter a coragem de defendê-la é o começo de toda injustiça consentida por comodismo.