Salmos 57:1
“Tem misericórdia de mim, ó Deus, tem misericórdia de mim, porque a minha alma confia em ti; e na sombra das tuas azas me abrigo, até que passem as calamidades.”
Ouça Salmos 57:1
“Tem misericórdia de mim, ó Deus, tem misericórdia de mim, porque a minha alma confia em ti; e na sombra das tuas azas me abrigo, até que passem as calamidades.”
O que este versículo diz
O salmo abre com um clamor duplicado — "tem misericórdia de mim" dito duas vezes —, e essa repetição não é descuido, mas a insistência de quem está encurralado. A tradição associa este cântico ao tempo em que Davi se escondia numa caverna, fugindo de Saul; seja qual for a situação exata, o tom é de perigo real. O que sustenta o orante não é a ausência de ameaça, mas a confiança: "a minha alma confia em ti". A imagem seguinte é das mais ternas do saltério: abrigar-se "na sombra das tuas asas", como o filhote que se recolhe sob a ave protetora. É proteção íntima, não distante.
Repare no realismo da última frase: ele se abriga "até que passem as calamidades", reconhecendo que a tempestade ainda dura. A fé aqui não nega a dor, mas escolhe onde esperar. Quando você atravessa um tempo assim, o convite é buscar não a fuga imediata do problema, mas a sombra de Deus enquanto ele não passa.