Ester 5:14
“Então lhe disse Zeres, sua mulher, e todos os seus amigos: Faça-se uma forca de cinquenta côvados daltura, e amanhã dize ao rei que enforquem nela Mardoqueo, e então entra com o rei alegre ao convite. E este conselho bem pareceu a Haman, e mandou fazer a forca. ”
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O que este versículo diz
Zeres e os amigos oferecem um conselho terrível: construir uma forca altíssima, de cinquenta côvados, e pedir ao rei que Mardoqueu seja executado nela logo pela manhã, para que Hamã vá então tranquilo ao banquete. A altura desmedida da forca — número que a narrativa usa para acentuar a soberba do plano — revela a desproporção entre a ofensa imaginada e a vingança pretendida. O conselho agrada a Hamã, e a forca é mandada erguer naquela mesma noite.
O leitor familiarizado com o livro sabe da ironia que se prepara: essa mesma forca terá, adiante, um destino que ninguém à mesa poderia prever. A cena encerra o capítulo com o mal aparentemente triunfante, mas já semeando a própria ruína. Fica um aviso sério e devoto: os instrumentos que preparamos para destruir o outro têm o poder de se voltar contra nós. O ódio constrói cadafalsos, mas raramente escolhe quem neles acabará. Melhor é entregar as ofensas a quem julga com justiça do que erguer forcas na madrugada da nossa raiva.