Mateus 18:30
“Ele, porém, não quiz, antes foi encerral-o na prisão, até que pagasse a divida.”
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“Ele, porém, não quiz, antes foi encerral-o na prisão, até que pagasse a divida.”
O que este versículo diz
O servo recusa o pedido e manda encarcerar o companheiro "até que pagasse a dívida". A frase encerra uma ironia amarga: preso, o devedor dificilmente poderia trabalhar para pagar, de modo que a prisão era menos cobrança do que vingança. Ele escolhe o rigor absoluto justamente quando acabara de ser dispensado de um rigor infinitamente maior. A dureza aqui não é falha de memória apenas, mas endurecimento do coração, incapacidade de deixar que a graça recebida molde o trato com o outro.
Esse é o pecado que a parábola quer expor: receber misericórdia e negá-la. Há algo de contraditório e feio em cobrar com implacável rigor quem nos deve pouco, depois de termos sido perdoados de tanto. A prisão em que o servo encerra o companheiro é também, em outro sentido, a prisão em que ele próprio se coloca, pois quem não perdoa vive amarrado à ofensa que se recusa a soltar. O versículo nos adverte: a graça que não transborda para o próximo revela que talvez ainda não tenha sido de fato compreendida.