O jovem larga o lençol e foge nu, escapando por pouco. Marcos prolonga por um segundo versículo essa cena aparentemente menor, dando-lhe um peso simbólico difícil de ignorar. A nudez, na cultura bíblica, era imagem de humilhação e desamparo; fugir despojado de tudo é a expressão máxima do fracasso dos que seguiam Jesus. Se todos já haviam fugido, este último detalhe sela o quadro do abandono absoluto: Jesus permanece, os outros correm, e o mais frágil deles perde até a roupa. Alguns intérpretes leem aqui um contraponto deliberado com a manhã da ressurreição, quando um jovem aparecerá sentado no túmulo, tranquilamente vestido de branco — da fuga envergonhada à serena proclamação da vida nova. Seja qual for a intenção do autor, a passagem nos fala da nossa própria nudez diante das provas: há momentos em que perdemos as defesas, as certezas e as aparências, e restamos expostos. A boa notícia do Evangelho é que Deus não abandona o que foge nu; ele o reveste de novo.
O que este versículo diz
O jovem larga o lençol e foge nu, escapando por pouco. Marcos prolonga por um segundo versículo essa cena aparentemente menor, dando-lhe um peso simbólico difícil de ignorar. A nudez, na cultura bíblica, era imagem de humilhação e desamparo; fugir despojado de tudo é a expressão máxima do fracasso dos que seguiam Jesus. Se todos já haviam fugido, este último detalhe sela o quadro do abandono absoluto: Jesus permanece, os outros correm, e o mais frágil deles perde até a roupa. Alguns intérpretes leem aqui um contraponto deliberado com a manhã da ressurreição, quando um jovem aparecerá sentado no túmulo, tranquilamente vestido de branco — da fuga envergonhada à serena proclamação da vida nova. Seja qual for a intenção do autor, a passagem nos fala da nossa própria nudez diante das provas: há momentos em que perdemos as defesas, as certezas e as aparências, e restamos expostos. A boa notícia do Evangelho é que Deus não abandona o que foge nu; ele o reveste de novo.