Lucas 23:46
“E, clamando Jesus com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isto, expirou.”
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“E, clamando Jesus com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isto, expirou.”
O que este versículo diz
Chega o momento central. Depois das trevas e do véu rasgado, Jesus clama "com grande voz" — não um sussurro de esgotamento, mas um brado consciente. Suas últimas palavras em Lucas são uma oração retirada do Salmo 31: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito". Piedosos judeus recitavam esse verso antes de dormir, como quem se confia a Deus para a noite. Jesus o transforma em oração da morte, acrescentando algo próprio: chama Deus de "Pai". Mesmo no extremo do sofrimento, a confiança filial permanece intacta.
O verbo "expirou" descreve com sobriedade a entrega do último sopro. Não há revolta nem desespero, mas um ato de confiança total. Lucas apresenta uma morte que é, ao mesmo tempo, obediência e paz. Para o leitor diante das próprias perdas, angústias e da consciência da finitude, estas palavras oferecem um modelo e um refúgio: podemos depositar tudo, inclusive nossa vida e nossos medos, nas mãos de um Pai em quem se pode confiar sem reservas.