Atos 16:21

Atos 16:21
“E prégam ritos que nos não é lícito receber nem praticar, visto que somos romanos.”
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O que este versículo diz

A acusação se completa com um apelo à identidade romana: os réus pregariam costumes que "não é lícito receber nem praticar", pois os acusadores "somos romanos". Havia, de fato, restrições a certas práticas religiosas estrangeiras entre cidadãos romanos, e os senhores da moça exploram isso com esperteza. O contraste é irônico e proposital: eles se orgulham de ser romanos para condenar, e mais adiante descobrirão, para seu constrangimento, que Paulo também é cidadão romano.

O orgulho identitário, aqui, é usado como instrumento de exclusão. Ser romano vira critério para decidir quem tem direito e quem não tem, quem pertence e quem é ameaça. Lucas prepara, com sutileza, a reviravolta dos versículos finais. Para o leitor, há um alerta sobre como identidades legítimas — nacionalidade, tradição, pertencimento — podem ser distorcidas em armas contra o diferente. O evangelho, ao contrário, atravessa essas barreiras: alcançou a comerciante gentia, a escrava e alcançará o carcereiro, mostrando que a salvação não se prende às fronteiras de que os homens tanto se orgulham.

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