Apocalipse 18:22
“E em ti não se ouvirá mais a voz de harpistas, e de músicos, e de frauteiros, e de trombeteiros, e nenhum artífice de arte alguma se achará mais em ti; e ruído de mó em ti mais se não ouvirá:”
Ouça Apocalipse 18:22
O que este versículo diz
Começa aqui uma elegia comovente pelo silêncio que descerá sobre a cidade. Não se ouvirão mais as vozes dos músicos — harpistas, flautistas, trombeteiros — nem o trabalho dos artesãos, nem sequer o ruído da mó a moer o grão do pão de cada dia. Um a um, os sons da vida comum vão sendo apagados. A força poética está justamente na cotidianidade do que se perde.
O que se descreve não é apenas o fim do luxo, mas o fim da vida ordinária: a música que alegra, o ofício que sustenta, o pão que alimenta. Onde antes havia bulício humano, restará mudez. Esse silêncio total é a marca mais eloquente da desolação. Para o leitor, há uma advertência serena sobre a fragilidade de tudo o que compõe a vida — até o mais simples e querido pode cessar. Mas há também um convite ao agradecimento: os sons cotidianos da nossa casa, o trabalho, a música, o alimento, são dádivas que não devemos tomar como garantidas. Cada som de vida é graça de Deus.