Isaías 24:8
“Já cessou o folguedo dos tamboris, acabou o arruido dos que pulam de prazer, e descançou a alegria da harpa.”
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“Já cessou o folguedo dos tamboris, acabou o arruido dos que pulam de prazer, e descançou a alegria da harpa.”
O que este versículo diz
Continua o retrato do silêncio que se abate sobre a cidade em festa. Cessa "o folguedo dos tamboris", instrumento de percussão associado a danças alegres e celebrações; acaba o barulho dos que "pulam de prazer"; e até "a alegria da harpa" descansa, ou seja, emudece. Os três instrumentos e gestos evocam banquetes, casamentos, festividades — toda a trilha sonora da vida próspera e despreocupada. Agora tudo se cala.
Há algo profundamente pungente nesse emudecer da música. O profeta não descreve principalmente ruínas físicas, mas a ausência de som, de riso, de festa — a morte da vida comunitária alegre. Para nós, a cena é um alerta contra a ilusão de que a diversão contínua nos protege da fragilidade da existência. As festas humanas, por mais legítimas, não seguram a vida em pé quando seus fundamentos morais desmoronam. Ao mesmo tempo, o texto nos faz valorizar o dom da alegria enquanto o temos, e buscar a fonte que não emudece: aquele cuja glória, como veremos adiante, ainda fará cantar.