Números 11:32
“Então o povo se levantou todo aquele dia e toda aquela noite, e todo o dia seguinte, e colheram as codornizes; o que menos tinha, colherá dez homers; e as estenderam para si ao redor do arraial.”
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O que este versículo diz
O povo reage à fartura com avidez sem limites. Passam um dia inteiro, a noite e o dia seguinte recolhendo codornizes, e o que menos ajuntou colheu dez ômeres, uma quantidade enorme. Depois estendem a carne ao redor do acampamento, provavelmente para secá-la e guardá-la. O detalhe da coleta incessante revela a ganância que movia o desejo: não bastava saciar a fome, era preciso acumular, agarrar tudo o que fosse possível, como se a providência de Deus não fosse suficiente para o dia seguinte.
Esse comportamento contrasta fortemente com a disciplina do maná, que não podia ser estocado além do necessário. Aqui, o povo se lança sobre a abundância com sofreguidão. Para o leitor, há um espelho da relação humana com o excesso: quando finalmente conseguimos o que desejávamos avidamente, é comum querer sempre mais, acumular sem medida, esquecendo a confiança que sustentava o cotidiano. A avidez que recolhe sem parar não nasce da fome, mas de um coração que perdeu a paz e a gratidão. E, como o versículo seguinte mostrará, esse apetite descontrolado carrega consequências graves.