Jó 9:33
“Não ha entre nós árbitro que ponha a mão sobre nós ambos.”
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- Quem falaJó
“Não ha entre nós árbitro que ponha a mão sobre nós ambos.”
O que este versículo diz
Jó dá nome ao que lhe falta: não há entre ele e Deus um "árbitro" que ponha a mão sobre ambos. A imagem é a de um mediador que, colocando a mão sobre as duas partes, teria autoridade sobre cada uma para conduzir um julgamento equilibrado e reconciliar o litígio. Jó lamenta a ausência dessa figura: sem ela, ele permanece esmagado pela distância entre a sua pequenez e a majestade de Deus.
Este é talvez o clamor mais tocante do capítulo, e muitos o consideram um dos ápices espirituais do livro. Jó expressa, em plena escuridão, o desejo de uma mediação que aproxime o homem de Deus. A tradição cristã reconhece nesse anseio uma antecipação daquilo que viria a se cumprir na pessoa de Cristo, entendido como o mediador entre Deus e os homens, capaz de tocar a ambos. Para o leitor, o versículo transforma um lamento em esperança: aquilo que Jó sentia faltar, Deus proveria. O vazio que o sofredor identifica é, muitas vezes, o lugar exato onde a graça deseja entrar.