Jó 42:7
“Sucedeu pois que, acabando o Senhor de falar a Job aquelas palavras, o Senhor disse a Elifaz, o temanita: A minha ira se acendeu contra ti, e contra os teus dois amigos; porque não falaste de mim o que era recto, como o meu servo Job.”
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O que este versículo diz
A cena muda: o poema termina e volta a prosa que abrira o livro. Deus se dirige a Elifaz, o temanita, o primeiro dos amigos que havia falado, e declara que sua ira se acendeu contra ele e os outros dois. O motivo surpreende quem leu os discursos: os amigos, que pareciam defender a Deus com tanto zelo, não falaram dele "o que era reto", ao contrário de Jó. Aquele que protestou e questionou é chamado "meu servo" — título de honra — nada menos que quatro vezes neste capítulo.
Eis uma lição desconcertante e libertadora. Os amigos tinham teologia arrumada: sofrimento é castigo, prosperidade é prêmio. Estavam errados, e defender uma imagem falsa de Deus com palavras piedosas não os salvou. Jó, em sua dor crua, foi mais verdadeiro. Deus prefere a honestidade angustiada de quem luta com ele à correção fria de quem o reduz a fórmulas. Isso deveria nos tornar mais humildes ao explicar o sofrimento alheio.