Jó 22:2
“Porventura o homem será dalgum proveito a Deus? antes a si mesmo o prudente será proveitoso.”
Ouça Jó 22:2
“Porventura o homem será dalgum proveito a Deus? antes a si mesmo o prudente será proveitoso.”
O que este versículo diz
Elifaz abre com uma pergunta retórica que encerra uma verdade real, ainda que ele a use de modo distorcido. É certo que Deus não depende da criatura: nenhum ser humano acrescenta algo à plenitude do Todo-Poderoso, e a justiça do sábio, como diz o versículo, aproveita antes a ele mesmo. Essa consciência de que não damos nada a Deus que já não seja dele preserva o coração da presunção.
O problema é a intenção por trás do argumento. Elifaz insinua que, se Deus nada ganha com a justiça de Jó, então o sofrimento de Jó só pode ser castigo por pecado, nunca objeto de cuidado gratuito. Ele transforma uma verdade sobre a grandeza divina numa frieza sobre o valor humano. O leitor pode guardar a parte boa — servimos a Deus por amor, não por barganha — sem aceitar a conclusão dura de que Deus seria indiferente às pessoas.