Jeremias 25:30
“Tu pois lhes profetizarás todas estas palavras, e lhes dirás: O Senhor desde o alto bramará, e dará a sua voz desde a morada da sua santidade: terrivelmente bramará contra a sua habitação, e com grito de alegria, como dos que pizam as uvas, contra todos os moradores da terra.”
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O que este versículo diz
Muda o registro: da prosa jurídica para a poesia grandiosa. Deus é retratado como um leão que "do alto bramará" e como o guerreiro que dá sua voz "desde a morada da sua santidade". A imagem impressiona pela mistura: o mesmo grito é comparado ao "grito de alegria dos que pisam as uvas" no lagar. A alegria do pisoador, que canta enquanto esmaga as uvas, torna-se aqui figura terrível do juízo — o esmagar das nações sob os pés da justiça divina. É imagem que ressoará em outros textos proféticos e, para muitos leitores cristãos, no livro do Apocalipse.
O bramido vem "desde a morada da sua santidade", ou seja, do próprio santuário, mostrando que o juízo não parte de um capricho, mas da santidade ofendida. Para o leitor, a poesia comunica algo que a prosa não alcança: a majestade temível de Deus diante do mal. Não é um Deus indiferente que assiste de longe; é presença ativa e ardente. E há, no paradoxo do lagar, uma verdade sóbria: a justiça de Deus tem uma alegria própria, a satisfação de que o mal não terá a última palavra.