Jeremias 18:14
“Porventura deixar-se-ha a neve do Líbano por uma rocha do campo? ou deixar-se-hão as águas estranhas, frias e correntes?”
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- Quem falaSenhor
O que este versículo diz
Deus argumenta com imagens da natureza para expor o absurdo da infidelidade. A pergunta é retórica: acaso a neve deixa os altos do Líbano? Acaso secam as águas frias que correem das montanhas? A resposta implícita é não. Há na criação uma constância, uma fidelidade: a neve permanece nos cumes, as fontes seguem correndo. O texto hebraico deste versículo é reconhecidamente difícil e admite mais de uma tradução, mas o sentido geral permanece claro no contraste que se estabelece.
O argumento é simples e contundente. Até os elementos sem razão mantêm seu curso natural; só o povo, dotado de entendimento, abandonou o seu Deus, que é sua fonte. A natureza, em sua ordem serena, envergonha a inconstância humana. Para nós, há um convite à contemplação: olhar para a fidelidade silenciosa da criação e deixar-se interpelar por ela. As montanhas guardam sua neve, os rios não esquecem seu leito. E nós, guardamos a memória de Deus? A fidelidade das águas se torna, no versículo seguinte, medida do nosso esquecimento.