Isaías 44:17
“Então do resto faz um deus, uma imagem de esculptura: ajoelha-se diante dela, e se inclina, e ora-lhe, e diz: Livra-me, porquanto tu és o meu deus.”
Ouça Isaías 44:17
“Então do resto faz um deus, uma imagem de esculptura: ajoelha-se diante dela, e se inclina, e ora-lhe, e diz: Livra-me, porquanto tu és o meu deus.”
O que este versículo diz
Chega o clímax da ironia. Do resto da mesma madeira que serviu para cozinhar e aquecer, o homem faz "um deus, uma imagem de escultura", e diante dela se ajoelha, se inclina, ora e suplica: "livra-me, porquanto tu és o meu deus". A tragédia está no pedido. Ele implora salvação justamente àquilo que ele mesmo esculpiu, um pedaço de lenha que não pode ouvir nem agir. O ser humano, feito para invocar o Deus vivo, dobra os joelhos diante da própria obra e lhe atribui o poder de livrar.
É o retrato mais pungente da inversão idólatra. Buscamos libertação onde não há libertação possível. O versículo pergunta em silêncio a que temos rezado nos momentos de aflição, a que temos pedido socorro. Muitas vezes gritamos por salvação a coisas incapazes de ouvir: o dinheiro, o status, uma pessoa idealizada, uma imagem de nós mesmos. A oração é preciosa demais para ser dirigida ao que não vive. Só o Deus verdadeiro pode responder ao "livra-me" que sai do fundo do coração.