Deuteronômio 15:9

Deuteronômio 15:9
“Guarda-te, que não haja palavra de Belial no teu coração, dizendo: Vae-se aproximando o sétimo ano, o ano da remissão: e que o teu olho seja maligno para com teu irmão pobre, e não lhe dês nada; e que ele clame contra ti ao Senhor, e que haja em ti pecado.”
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O que este versículo diz

O texto antecipa a tentação sutil que a lei da remissão poderia provocar: às vésperas do sétimo ano, alguém poderia recusar-se a emprestar, calculando que logo teria de perdoar a dívida. A esse pensamento mesquinho o texto dá um nome pesado: "palavra de Belial", expressão que designa algo vil, sem valor, associado à maldade. O "olho maligno" é imagem do egoísmo que enxerga o irmão como ameaça ao próprio patrimônio. E o texto adverte que o pobre negligenciado "clamará contra ti ao Senhor" — Deus escuta o clamor do oprimido, e a omissão vira pecado imputado.

Eis um dos pontos mais penetrantes da passagem: o mal não está só no ato, mas no cálculo interior que se disfarça de prudência. Para nós, é um espelho incômodo. Quantas vezes racionalizamos a recusa de ajudar com aparência de bom senso? O texto nos ensina que Deus escuta os que não têm voz, e que a frieza calculada diante deles não passa despercebida ao Céu.

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