Cânticos 7:8
“Dizia eu: Subirei à palmeira, pegarei de seus ramos; e então os teus peitos serão como os cachos na vide, e o cheiro dos teus narizes como os das maçãs.”
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- Quem falaAmado (Salomão)
O que este versículo diz
Aqui o amado transforma a imagem da palmeira em gesto: decide subir e colher seus frutos. A linguagem é francamente amorosa e sensual, expressando o desejo de aproximação e de posse mútua — não de domínio, mas de entrega. Os seios voltam a ser comparados a cachos de uva, e o hálito, ou o perfume, dela é como o das maçãs, fruta associada no Cântico à doçura e ao aroma que despertam o afeto. Todo o versículo respira intimidade e ternura.
O Cântico dos Cânticos não se envergonha da dimensão física do amor entre os que se pertencem; ela é celebrada como dom. Ao mesmo tempo, o livro sempre a envolve em compromisso e reciprocidade, nunca em conquista fria. Para o leitor devoto, isto pode ser um lembrete de que corpo e coração não são inimigos: vividos com fidelidade e respeito, integram-se. Que aprendamos a honrar o desejo dentro de vínculos verdadeiros, sem cinismo e sem falsa vergonha, reconhecendo nele um lugar de encontro e não de exploração do outro.