Tempo
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Ficha do Orixá
- Também conhecido comoKitembo, Ntembo, Kitembu (nação Angola/Congo-Angola)
- DomínioO tempo, o clima e as estações
- DiaVaria conforme a casa/nação
- CorVaria conforme a casa/nação (comumente branco, por vezes com verde)
- ElementoAr e clima (ventos, chuvas e estações)
- SaudaçãoVaria conforme a casa/nação
- Sincretismo (comum)Comumente associado a São Roque ou Santo Amaro (varia por região)
Orações a Tempo
O culto e o sincretismo de Tempo variam por nação e região (Candomblé, Umbanda). As informações acima são as associações mais comuns.
Sobre Tempo
Tempo é a divindade das passagens: senhor das horas e das estações, dos ventos que giram e das chuvas que chegam, guardião de tudo o que se transforma com o correr dos dias.
Cultuado sobretudo no Candomblé de nação Angola, Tempo pertence à tradição banto, na qual as divindades são chamadas de inquices (do quicongo nkisi; no plural, minkisi). É também conhecido como Kitembo, Ntembo ou Kitembu, nomes que ecoam suas raízes centro-africanas. Seu domínio é o tempo em dois sentidos que se entrelaçam: o tempo que passa, das horas, dos dias e das estações, e o tempo que muda, do clima, dos ventos e das chuvas. Por isso é reverenciado como o senhor do movimento, aquele que rege os ciclos da natureza e as transformações da própria vida.
Nos terreiros, a presença de Tempo se faz visível de um modo singular. Ele é louvado no mastro ou na árvore de Tempo fincada no barracão, encimada por sua bandeira, que tremula ao sabor do vento como sinal vivo de sua força. Cada nação e cada casa guarda suas próprias formas de saudá-lo e reverenciá-lo, e detalhes como dia, cor e saudação variam conforme a tradição, ainda que o branco, por vezes acompanhado do verde, seja uma referência comum. No sincretismo religioso brasileiro, costuma ser associado a São Roque ou a Santo Amaro, associação que muda de região para região e que nunca substitui sua identidade própria dentro do culto banto.
Quem recorre a Tempo busca, antes de tudo, sabedoria diante das mudanças. Ele é procurado por aqueles que atravessam fases difíceis e desejam paciência para esperar a hora certa, saúde e longevidade, ou o discernimento para reconhecer que tudo tem o seu ciclo: o plantio e a colheita, a tempestade e a calmaria. Como guardião das passagens, ensina que nada é definitivo e que as transformações, mesmo as dolorosas, fazem parte do curso natural da existência.
Toda reverência a Tempo se faz com respeito e dentro dos fundamentos de cada casa, sem receitas prontas: são os mais velhos e o axé do terreiro que orientam as saudações e oferendas, sempre como gesto de gratidão e pedido de bênção. Ao louvá-lo, o povo de santo celebra a certeza de que o tempo, quando bem vivido, é aliado, e não adversário, conduzindo cada pessoa pelas estações de sua própria caminhada.