Oxumaré
Ouça sobre Oxumaré
Ficha do Orixá
- Também conhecido comoOsumare
- DomínioO arco-íris, a renovação e a riqueza
- DiaTerça-feira
- CorVerde e amarelo
- ElementoÁgua e ar
- SaudaçãoArroboboi!
- Sincretismo (comum)São Bartolomeu
Orações a Oxumaré
O culto e o sincretismo de Oxumaré variam por nação e região (Candomblé, Umbanda). As informações acima são as associações mais comuns.
Sobre Oxumaré
Oxumaré é o orixá do arco-íris e da serpente, senhor dos ciclos que se renovam sem cessar: aquilo que parte sempre encontra o caminho de voltar.
Nas tradições de matriz africana, Oxumaré é reverenciado como o orixá do movimento e da continuidade da vida. Sua imagem mais conhecida é a da grande serpente que morde a própria cauda, formando um círculo sem começo nem fim, e a do arco-íris que liga a terra ao céu depois da chuva. Ligado às águas e ao ar, ele governa os ciclos da natureza e do tempo: as estações que se sucedem, a chuva que sobe em vapor e retorna em água, a riqueza que circula e se renova. Nos mitos, é o orixá que carrega o axé entre o mundo de baixo e o mundo de cima, garantindo que a vida siga fluindo. Diz-se também que Oxumaré tem uma natureza dupla, capaz de reunir aspectos que costumamos ver como opostos, o que reforça seu sentido de totalidade e de equilíbrio entre extremos.
Terça-feira é o dia comumente dedicado a ele, e suas cores mais associadas são o verde e o amarelo, que evocam justamente o arco-íris e a vegetação que renasce. Quem deseja saudá-lo com respeito costuma dizer "Arroboboi!". No sincretismo religioso brasileiro, Oxumaré é frequentemente associado a São Bartolomeu, embora essa correspondência seja uma associação comum, fruto do encontro histórico entre culturas, e não uma regra fixa: os detalhes de cores, oferendas e formas de reverência podem variar conforme a casa ou a nação. Por isso, o modo mais respeitoso de se aproximar é buscar orientação junto a um terreiro ou a uma pessoa de conhecimento dentro da tradição, em vez de seguir fórmulas prontas.
Recorre-se a Oxumaré quando se busca renovação, esperança e a confiança de que as fases difíceis passam e dão lugar a tempos melhores, assim como a tempestade cede ao arco-íris. Ele é lembrado por quem atravessa transformações na vida, por quem deseja que a prosperidade circule e se estabilize, e por quem precisa de constância para atravessar longos ciclos. Mais do que pedir bens materiais imediatos, quem se volta para Oxumaré costuma pedir a graça da continuidade: saúde que se restabelece, projetos que amadurecem com o tempo e a certeza de que, na roda da vida, nada permanece parado para sempre.
Osumaré, como também é chamado, guarda em sua figura uma das lições mais bonitas das religiões afro-brasileiras: a de que os fins são também recomeços. Assim como o arco-íris só aparece depois da chuva, ele lembra que a espera e a paciência fazem parte do caminho, e que a vida se move em espiral, sempre renovando o que parecia terminado.