Nanã
Ouça sobre Nanã
Ficha do Orixá
- Também conhecido comoNanã Buruquê
- DomínioA lama, a ancestralidade e a sabedoria dos mais velhos
- DiaSábado
- CorRoxo / lilás e branco
- ElementoLama / terra e água
- SaudaçãoSaluba Nanã!
- Sincretismo (comum)Sant'Ana (e, em algumas regiões, Nossa Senhora)
Orações a Nanã
O culto e o sincretismo de Nanã variam por nação e região (Candomblé, Umbanda). As informações acima são as associações mais comuns.
Sobre Nanã
Nanã é a mais anciã dos orixás, senhora da lama primordial de onde brota a vida e guardiã da sabedoria que só o tempo é capaz de ensinar.
Também conhecida como Nanã Buruquê, ela é reverenciada como a mais velha entre os orixás, aquela que já existia antes mesmo de a terra tomar forma. Seu domínio é a lama: o encontro da terra com a água, o barro escuro e macio do fundo dos rios, dos lagos e dos pântanos. Conta a tradição que foi desse barro que o ser humano foi moldado, e é a esse mesmo chão que a vida retorna quando chega ao fim. Por isso Nanã está ligada tanto ao começo quanto ao término da existência: uma senhora serena, que conhece o ciclo inteiro e não se aflige com a passagem do tempo.
Seu elemento é a lama, terra e água misturadas, e o roxo, o lilás e o branco são as cores comumente associadas a ela, evocando ao mesmo tempo a nobreza da idade avançada e a paz de quem já viu muito. Em muitas casas, Nanã é saudada aos sábados com o brado "Saluba Nanã!", em sinal de respeito e afeto por sua ancestralidade. No sincretismo religioso brasileiro, é comum associá-la a Sant'Ana, a avó de Jesus, e, em algumas regiões, a Nossa Senhora, uma aproximação nascida da devoção popular que varia conforme a casa e a nação. Essa associação é um encontro cultural entre tradições, não uma regra fixa nem uma equivalência exata. As oferendas e as formas de reverenciá-la seguem os fundamentos de cada terreiro e são conduzidas com o cuidado que se deve a uma anciã: com calma, gratidão e sem pressa, tal como se honra a mais velha da família.
Quem recorre a Nanã costuma buscar aquilo que ela mesma personifica: paciência, serenidade e respeito pelos mais velhos. Ela é procurada nos momentos que pedem sabedoria para decidir, calma diante do que não se pode apressar e reconciliação com o próprio tempo de vida. É a orixá de quem cuida das gerações, das memórias de família e da ancestralidade que sustenta o presente. A ela se pede amparo nas passagens difíceis, consolo diante da perda e a firmeza tranquila de quem aprendeu que tudo tem seu tempo de nascer e de repousar.
Mais do que uma divindade distante, Nanã representa a voz da experiência e a força silenciosa dos antepassados. Cultuada em terreiros de Umbanda e de Candomblé por todo o Brasil, ela lembra a quem a procura que envelhecer é acumular sabedoria, que os mais velhos merecem reverência e que a lama, longe de ser apenas sujeira, é o solo fértil de onde a vida sempre recomeça.