Shankara

Adi Shankara (aproximadamente 788-820) foi um filósofo e mestre espiritual indiano, responsável por sistematizar a escola Advaita Vedanta, uma das correntes mais influentes do pensamento hindu. Nascido em Kaladi, no atual estado de Kerala, viveu apenas cerca de trinta e dois anos, mas nesse curto período percorreu toda a Índia, debatendo com sábios de outras tradições e fundando quatro grandes mosteiros (mathas) nos quatro pontos cardeais do subcontinente.

Seu ensinamento central é o não-dualismo: a ideia de que Brahman, a Realidade Última, é a única existência verdadeira, e que a percepção de um mundo separado e múltiplo é fruto de maya, a ilusão cósmica. Para Shankara, o Atman, a essência mais profunda de cada ser, é idêntico a Brahman, e a libertação (moksha) consiste em reconhecer essa identidade através do discernimento e da renúncia.

Shankara escreveu comentários fundamentais sobre os Upanishads, o Bhagavad Gita e os Brahma Sutras, além de hinos devocionais de grande beleza poética. Sua figura é reverenciada tanto por estudiosos quanto por praticantes devocionais, sendo considerado uma encarnação (avatar) do deus Shiva por muitos hindus, e permanece uma referência viva para quem busca a sabedoria não-dual.
Shankara

A oração

Ouça esta oração
Ó grande Mestre Shankara, tu que percorreste a Índia inteira em busca da Verdade Una e ensinaste que Brahman habita em tudo o que existe, concede-me a graça do discernimento. Que eu aprenda a distinguir o que é permanente do que é passageiro, a essência da aparência, e que reconheça em mim mesmo a centelha da Realidade Suprema que tu tão claramente enxergaste.

Dissipa em mim as ilusões de maya que me fazem crer separado de tudo e de todos, e conduz meu espírito à compreensão silenciosa de que o Atman e Brahman são um só. Que teus ensinamentos sobre os Upanishads e o Bhagavad Gita me guiem para além do véu das formas, rumo à paz que não depende de circunstâncias externas.

Que eu caminhe com renúncia e discernimento, liberto do apego, buscando a libertação (moksha) não como fuga do mundo, mas como plena compreensão da Unidade que sustenta toda a existência.

Como rezar

Escolha um momento de silêncio, preferencialmente ao amanhecer, e repita mentalmente a oração com atenção plena a cada palavra. Pode-se acender uma vela ou incenso como símbolo de recolhimento antes de começar. Recomenda-se encerrar com alguns minutos de meditação silenciosa, repetindo internamente 'eu sou Brahman' como forma de interiorizar o ensinamento não-dual.

Temas relacionados

Outras orações de Orações Místicas

· . Ver todas as Orações Místicas →