Novena de São João da Cruz

Doutor místico da Igreja; para atravessar a noite escura e alcançar a união íntima com Deus · Festa: 14 de dezembro

São João da Cruz nasceu na Espanha em 1542, em meio à pobreza, e cedo conheceu o sofrimento e o trabalho árduo. Entrou na Ordem do Carmo e, movido por sede de perfeição, uniu-se a Santa Teresa de Ávila na reforma da vida religiosa, dando origem ao Carmelo Descalço. Homem de oração profundíssima e de doutrina sublime, escreveu páginas imortais sobre a subida ao Monte Carmelo, a noite escura da alma, o cântico espiritual e a viva chama de amor. Sofreu perseguições, cárcere e humilhações, mas de tudo fez escada para se elevar a Deus. A Igreja o proclamou Doutor Místico, mestre insuperável dos caminhos interiores.

Rezamos esta novena para pedir a São João da Cruz que nos guie pelas veredas da vida interior, sobretudo quando a alma atravessa provações, aridez espiritual e escuridão. Ele nos ensina que essas noites não são abandono, mas purificação amorosa pela qual Deus prepara a alma para a união consigo. A ele recorremos por firmeza na oração, por desapego das consolações sensíveis, por paciência nas provas e pela graça de amar a Deus por Ele mesmo, e não pelos seus dons.

Esta novena pode ser rezada nos nove dias que antecedem a sua festa, em 14 de dezembro, ou em qualquer tempo de escuridão espiritual. Reze com humildade e perseverança, num lugar de silêncio, entregando-se à ação purificadora de Deus. Que este santo doutor obtenha para você a coragem de nada buscar, nada querer e nada possuir fora de Deus, até chegar ao tudo que é o próprio Senhor.

Como rezar esta novena

  1. Reze durante 9 dias seguidos, de preferência sempre no mesmo horário.
  2. Comece pela Oração inicial (a mesma em todos os dias).
  3. Leia e reze a meditação e a oração do dia correspondente, apresentando a sua intenção.
  4. Encerre com a Oração final.

Orações de todos os dias

Oração inicial

Ó glorioso São João da Cruz, doutor místico e guia seguro das almas, que atravessastes as noites mais escuras confiando plenamente em Deus, eu me coloco sob vossa proteção nesta novena. Ensinai-me a buscar somente o Senhor, a desapegar-me de tudo o que não é Ele e a amá-lo na luz e na escuridão. Alcançai-me a graça de perseverar na oração quando faltarem as consolações, e de compreender que também nas provações Deus me purifica por amor. Apresentai ao trono divino os pedidos que vos confio e conduzi-me, passo a passo, à união íntima com aquele que é o único bem da minha alma. Amém.

Oração final

Ó São João da Cruz, recebei estas súplicas e conduzi-me pelo caminho estreito que leva à cumeada do amor. Alcançai-me a graça de nada temer nas noites da alma, confiando em que Deus me purifica para unir-me a Ele. Que, esvaziado de tudo o que não é o Senhor, eu O possua um dia na glória, onde a chama do amor arde para sempre. Amém.

Os 9 dias da novena

1º dia — A sede de Deus acima de tudo

Ó São João da Cruz, desde jovem vossa alma ardeu por uma só coisa: possuir a Deus e nada mais. No meio da pobreza e do trabalho, buscáveis o Senhor com uma sede que nenhuma criatura podia saciar. Compreendestes que o coração humano foi feito para o Infinito e que só n'Ele repousa. Despertai também em nós essa fome do Absoluto, para que não nos contentemos com bens pequenos e passageiros, mas aspiremos ao que não passa. Ensinai-nos que buscar a Deus é o começo de todo caminho espiritual e que sem esse desejo ardente a alma se dispersa em mil coisas vãs. Fazei que O procuremos com toda a mente, todo o coração e todas as forças. Neste primeiro dia da novena, eu vos peço: acendei em mim uma sede viva de Deus, para que eu o busque acima de todas as coisas e nada estime que possa afastar-me d'Ele.

2º dia — O desapego das criaturas

Ó mestre da vida interior, ensinastes que para chegar ao tudo é preciso passar pelo nada, esvaziando o coração de todo apego desordenado. Não porque as criaturas sejam más, mas porque, quando as amamos fora de Deus, elas se tornam prisões que impedem o voo da alma. Vós próprio, no cárcere e na pobreza, aprendestes a nada reter e a tudo entregar. Livrai-nos, santo doutor, dos apegos que nos escravizam: ao dinheiro, aos prazeres, à estima dos homens, às nossas próprias vontades. Ensinai-nos a usar das coisas deste mundo sem colocar nelas o coração, mantendo os olhos fixos no único necessário. Que, livres e desprendidos, possamos correr com liberdade ao encontro de Deus. Neste segundo dia, eu vos suplico: alcançai-me a graça do santo desapego, para que meu coração, esvaziado de tudo o que não é Deus, se torne capaz de recebê-lo por inteiro.

3º dia — A oração como trato de amizade com Deus

Ó São João da Cruz, vossa alma vivia em contínua conversa com Deus, e a oração era o ar que respiráveis. Nela encontráveis força para as provações e luz para os caminhos escuros. Ensinastes que a oração não consiste em muitas palavras, mas em estar diante do Senhor com amor, em silêncio e atenção, deixando-O agir na alma. Ajudai-nos a fazer da oração o centro de nossa vida, a reservar tempo cada dia para o encontro íntimo com Deus, sem pressa e sem barulho. Ensinai-nos a perseverar mesmo quando não sentimos consolação, sabendo que o amor se prova na fidelidade. Que aprendamos a rezar não para receber, mas para amar. Neste terceiro dia da novena, eu vos peço: alcançai-me a graça de uma vida de oração constante e fiel, na qual eu me deixe encontrar por Deus e cresça, dia a dia, na intimidade com Ele.

4º dia — A noite escura dos sentidos

Ó doutor místico, ensinastes que Deus, para purificar a alma, muitas vezes retira as consolações sensíveis e a introduz numa noite em que tudo parece árido e sem gosto. Não é castigo, mas amor: assim o Senhor a desprende dos prazeres espirituais para que O busque por Ele mesmo. Vós conhecestes essa noite e n'Ela vos abandonastes com fé. Quando também nós atravessamos a secura na oração, o tédio nas coisas de Deus e a ausência de fervor, ensinai-nos a não recuar nem julgar-nos abandonados. Dai-nos a coragem de permanecer fiéis na escuridão, confiando que Deus trabalha em silêncio no fundo da alma. Que a aridez nos torne mais humildes e mais puros no amor. Neste quarto dia, eu vos suplico: alcançai-me paciência e fidelidade na noite dos sentidos, para que, purificado das consolações, eu aprenda a amar a Deus somente por Ele mesmo.

5º dia — A fé pura nas trevas

Ó São João da Cruz, ensinastes que a fé é a lâmpada que ilumina a alma na noite, quando faltam as luzes da razão e do sentimento. É por ela, e não pelo que sentimos, que caminhamos seguros para Deus, mesmo quando tudo parece escuro. Vós avançastes assim, apoiado somente na palavra do Senhor, mais firme do que qualquer certeza humana. Fortalecei em nós essa fé pura e nua, capaz de crer sem ver, de esperar contra toda esperança, de confiar quando não compreendemos os caminhos de Deus. Livrai-nos de buscar apoios sensíveis e sinais, e ensinai-nos a nos entregar às mãos do Pai na obscuridade da fé. Que a escuridão não nos afaste, mas nos aproxime d'Ele. Neste quinto dia da novena, eu vos peço: alcançai-me uma fé firme e purificada, que me sustente nas trevas e me faça caminhar seguro para Deus, mesmo quando não O sinto.

6º dia — A paciência nas provações e perseguições

Ó paciente São João da Cruz, fostes preso, caluniado e maltratado até por vossos próprios irmãos de religião, e num cárcere estreito sofrestes fome, frio e humilhações. E, no entanto, foi ali que Deus vos inundou de luz e vos inspirou os cânticos mais sublimes. Não guardastes rancor, mas transformastes a dor em oração e em amor. Ensinai-nos a suportar com paciência as provações da vida: as doenças, as injustiças, as incompreensões e os sofrimentos que Deus permite. Que não nos revoltemos nem desanimemos, mas os aceitemos como participação na cruz de Cristo e caminho de purificação. Fazei-nos ver que, também na dor, Deus nos ama e nos aperfeiçoa. Neste sexto dia, eu vos suplico: alcançai-me paciência e serenidade nas provações, para que, unindo meus sofrimentos aos de Cristo, eu me deixe purificar e cresça no amor.

7º dia — A noite escura do espírito

Ó São João da Cruz, descrevestes com sabedoria a mais profunda das purificações, quando Deus toca as raízes mais íntimas da alma e a despoja de todo apoio próprio, até de si mesma. É uma noite dolorosa em que a alma se sente indigna e distante, mas na qual Deus a prepara para a mais alta união. Vós ensinastes que é preciso atravessá-la com humildade e confiança, sem fugir do cadinho purificador. Se um dia formos chamados a essa provação, sustentai-nos com vossa doutrina e vossa intercessão. Ensinai-nos a não confiar nas nossas forças, nem nas nossas virtudes, mas somente na misericórdia de Deus, que purifica para transformar. Que dessa noite saiamos mais puros, mais humildes e mais unidos ao Senhor. Neste sétimo dia da novena, eu vos peço: alcançai-me humildade e abandono nas purificações mais profundas, para que, esvaziado de mim mesmo, seja preenchido inteiramente por Deus.

8º dia — A viva chama do amor divino

Ó São João da Cruz, após as noites da purificação, vossa alma foi inflamada pela viva chama do amor, na qual descrevestes as delícias da união com Deus. Ali já não havia distância, mas comunhão tão íntima que a alma se transformava n'Aquele que amava, como o ferro no fogo. Esse é o termo do caminho espiritual: não apenas servir a Deus, mas viver unido a Ele em amor. Acendei também em nós essa chama, para que nosso coração arda pelo Senhor e todas as nossas ações nasçam do amor. Que não nos contentemos com uma vida cristã morna, mas aspiremos à santidade e à união plena com Deus, a que somos todos chamados. Purificai nosso amor de todo interesse próprio. Neste oitavo dia, eu vos suplico: alcançai-me a graça de amar a Deus com um amor ardente e puro, para que a chama do Espírito consuma em mim tudo o que não é d'Ele.

9º dia — A união consumada e a glória eterna

Ó bem-aventurado São João da Cruz, ao fim de vossa vida, gasto pelas provações e pelo amor, entregastes a alma a Deus dizendo que ao entardecer seríeis julgado pelo amor. Toda a vossa existência foi uma subida constante ao monte da união divina, e na morte alcançastes o abraço eterno que tanto buscáveis. Ensinai-nos a viver com os olhos postos nesse fim bem-aventurado, medindo tudo pela medida do amor. Que aprendamos a considerar cada dia como um passo para o encontro definitivo com Deus, e a preparar nossa passagem com uma vida de fé, oração e caridade. Sede nosso guia até o último instante e nosso intercessor na hora da morte. Neste nono dia, ao concluir a novena, eu vos peço: alcançai-me a graça de perseverar no caminho da união com Deus até o fim, para que eu seja julgado pelo amor e mereça contemplá-lo eternamente na glória.

Ver todas as novenas →