Novena de Santa Josefina Bakhita

De escrava a santa; libertação e perdão · Festa: 8 de fevereiro

Santa Josefina Bakhita nasceu por volta de 1869, na região de Darfur, no Sudão. Ainda criança, foi raptada por traficantes e vendida como escrava, passando por senhores cruéis que a maltrataram e marcaram seu corpo com terríveis feridas. O trauma foi tão profundo que ela chegou a esquecer o próprio nome, e os captores a chamaram de Bakhita, que significa a afortunada. Conduzida à Itália, conheceu ali a fé cristã, foi batizada e mais tarde tornou-se religiosa canossiana. Foi canonizada em 2000 pelo Papa João Paulo II.

Rezamos esta novena para pedir a intercessão daquela que, tendo sofrido a mais dura escravidão, encontrou em Deus a verdadeira liberdade e soube perdoar de coração aqueles que a haviam ferido. Bakhita costumava dizer que, se encontrasse seus antigos senhores, ajoelhar-se-ia para beijar-lhes as mãos, pois sem eles não teria chegado a conhecer a Jesus. A ela recorremos quando carregamos feridas do passado, quando lutamos para perdoar, ou quando buscamos a verdadeira liberdade dos filhos de Deus.

Esta novena pode ser rezada nos nove dias que antecedem sua festa, celebrada em 8 de fevereiro, ou em qualquer momento em que precisemos de cura interior e de força para perdoar. Reze com fé e humildade, pedindo a Bakhita o dom de reconhecer a mão amorosa de Deus mesmo nas provações mais duras. Que esta santa africana nos ensine que nenhum sofrimento é maior que o amor de Deus.

Como rezar esta novena

  1. Reze durante 9 dias seguidos, de preferência sempre no mesmo horário.
  2. Comece pela Oração inicial (a mesma em todos os dias).
  3. Leia e reze a meditação e a oração do dia correspondente, apresentando a sua intenção.
  4. Encerre com a Oração final.

Orações de todos os dias

Oração inicial

Ó Deus, Pai de misericórdia, que conduzistes Santa Josefina Bakhita das trevas da escravidão à luz da liberdade em Cristo, concedei-nos, por sua intercessão, um coração livre e reconciliado. Curai as feridas de nosso passado, libertai-nos das amarguras que nos prendem e ensinai-nos a perdoar como fomos perdoados. Dai-nos reconhecer vossa Providência amorosa em todos os acontecimentos da vida, para que, como Bakhita, saibamos chamar-vos sempre de bom Mestre. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Oração final

Santa Josefina Bakhita, testemunha da liberdade em Cristo e do poder do perdão, alcançai-nos a graça que pedimos nesta novena. Curai nossas feridas, libertai nosso coração do rancor e ensinai-nos a confiar no bom Mestre que tudo dispõe. Rogai por nós e por todos os que ainda sofrem cativeiro. Amém.

Os 9 dias da novena

1º dia — A dignidade de todo ser humano

Arrancada de sua família e vendida como mercadoria, Bakhita foi tratada como coisa, negada em sua dignidade de pessoa. Mas nem os grilhões nem os maus-tratos conseguiram apagar a imagem de Deus impressa em sua alma. Ela permaneceu, mesmo na escravidão, uma filha amada do Criador, dotada de valor infinito. Também hoje muitos são tratados sem dignidade, explorados, desprezados ou reduzidos a instrumentos. E nós mesmos, às vezes, esquecemos o valor sagrado de cada pessoa que encontramos. A vida de Bakhita nos recorda que ninguém pode ser reduzido a objeto, pois todos fomos criados à imagem de Deus. Peçamos hoje a graça de reconhecer e respeitar a dignidade de cada ser humano, especialmente dos mais pobres e humilhados. Santa Josefina Bakhita, vós que fostes tratada como escrava mas permanecestes filha de Deus, alcançai-nos o respeito pela dignidade de toda pessoa. Ensinai-nos a defender os oprimidos e a nunca desprezar aquele que sofre ao nosso lado.

2º dia — Deus presente na provação

Mesmo nos anos mais sombrios de sua escravidão, Bakhita sentia em seu coração a presença de um Ser misterioso que a sustentava. Contemplando o sol, a lua e as estrelas, perguntava-se quem seria o Senhor de todas aquelas maravilhas e desejava conhecê-Lo. Deus a acompanhava secretamente, mesmo antes de ela saber seu nome. Também nós, em nossas provações, muitas vezes nos sentimos sós e abandonados, sem perceber que Deus caminha ao nosso lado. Bakhita nos ensina que o Senhor nunca nos abandona, mesmo quando não O reconhecemos. Peçamos hoje a graça de descobrir a presença de Deus em meio às nossas dificuldades e de confiar que Ele nos sustenta mesmo no escuro. Santa Josefina Bakhita, vós que pressentistes Deus antes de conhecê-Lo, alcançai-nos a graça de reconhecer sua presença amorosa nas horas difíceis. Ensinai-nos a buscá-Lo com o coração, certos de que Ele já nos procura primeiro e nunca nos deixa sozinhos na tribulação.

3º dia — O encontro com o bom Mestre

Ao chegar à Itália, Bakhita finalmente conheceu Aquele que seu coração há tanto buscava. Ao ser instruída na fé, reconheceu em Jesus o bom Mestre que sempre a amara e a acompanhara. Sua alma se encheu de alegria ao descobrir que havia um Deus que a amava pessoalmente e dera a vida por ela. Esse encontro transformou toda a sua existência. Também nós somos chamados a encontrar pessoalmente Jesus, não apenas a conhecê-Lo de nome, mas a experimentar seu amor e a fazer dele o centro de nossa vida. Muitas vezes, porém, permanecemos distantes, sem deixar que Cristo nos alcance verdadeiramente. Peçamos hoje a graça de um encontro real e transformador com Jesus, o bom Mestre. Santa Josefina Bakhita, vós que encontrastes em Cristo a razão de vossa vida, alcançai-nos a graça de conhecê-Lo e amá-Lo de verdade. Ensinai-nos a buscá-Lo com o mesmo desejo ardente com que O buscastes, para que também nós O reconheçamos como Senhor e Salvador.

4º dia — A verdadeira liberdade

Quando lhe foi oferecida a possibilidade de escolher, Bakhita optou por permanecer na casa de Deus e consagrar-se a Ele, descobrindo que a verdadeira liberdade não está em fazer o que se quer, mas em pertencer inteiramente ao Senhor. Aquela que fora escrava dos homens tornou-se livre em Cristo e serva alegre do amor. Nós, muitas vezes, confundimos liberdade com ausência de compromissos e nos tornamos escravos de nossos vícios, paixões e caprichos. Bakhita nos ensina que só quem se entrega a Deus é verdadeiramente livre. Peçamos hoje a graça de compreender e buscar essa liberdade autêntica, que nasce do amor e da entrega ao Senhor. Santa Josefina Bakhita, que da escravidão passastes à liberdade dos filhos de Deus, alcançai-nos a graça de nos libertarmos daquilo que nos aprisiona. Ensinai-nos que servir a Deus é reinar, e que a verdadeira liberdade se encontra em pertencer inteiramente Àquele que nos criou e nos redimiu por amor.

5º dia — O perdão que liberta

Bakhita poderia ter guardado ódio profundo contra os que a haviam raptado, vendido e torturado. No entanto, seu coração transbordava de perdão. Dizia que, se encontrasse seus algozes, não teria rancor, pois sem aquelas provações não teria chegado a conhecer a Jesus. Esse perdão heroico revelava a profundidade de sua vida em Deus. Nós, ao contrário, carregamos por anos mágoas e ressentimentos por ofensas muito menores, e o rancor nos aprisiona e envenena. Bakhita nos ensina que o perdão liberta primeiro quem perdoa. Peçamos hoje a graça de perdoar de coração aqueles que nos feriram, deixando cair as amarras do rancor. Santa Josefina Bakhita, modelo de perdão heroico, alcançai-nos a graça de perdoar como Cristo nos perdoou. Ensinai-nos a libertar nosso coração do ódio e da amargura, a rezar por aqueles que nos ofenderam e a encontrar, no perdão, a paz que só Deus pode dar.

6º dia — A gratidão em tudo

Uma das marcas mais admiráveis de Bakhita era sua profunda gratidão. Agradecia a Deus por tudo, até mesmo pelos sofrimentos passados, pois via neles o caminho que a havia conduzido à fé. Chamava-se a si mesma de afortunada, reconhecendo em cada acontecimento a mão amorosa da Providência. Sua alma vivia em constante ação de graças. Nós, ao contrário, tendemos a reclamar do que nos falta e a esquecer os incontáveis dons que recebemos. A ingratidão nos torna cegos às bênçãos de Deus. Bakhita nos ensina a enxergar tudo com olhos de gratidão, mesmo as provações. Peçamos hoje a graça de um coração grato, capaz de reconhecer e agradecer os dons do Senhor em cada momento. Santa Josefina Bakhita, alma cheia de gratidão, alcançai-nos a graça de agradecer a Deus em toda circunstância. Ensinai-nos a reconhecer sua Providência em nossa história, a valorizar os dons recebidos e a transformar nossa vida em contínua ação de graças ao bom Mestre.

7º dia — A humildade no serviço

Como religiosa, Bakhita dedicou-se com alegria aos trabalhos mais simples e humildes: cozinhava, costurava, atendia à portaria e recebia com doçura quantos batiam à porta. Não buscava tarefas grandiosas nem reconhecimento; encontrava sua felicidade em servir com amor. Sua humildade e mansidão tocavam o coração de todos que a conheciam. Nós, muitas vezes, desejamos posições de destaque e desprezamos os serviços humildes, achando-os indignos de nós. Bakhita nos ensina que toda tarefa feita por amor a Deus tem valor eterno. Peçamos hoje a graça de servir com humildade e alegria, sem buscar reconhecimento nem menosprezar os trabalhos simples. Santa Josefina Bakhita, serva humilde e alegre, alcançai-nos a graça de encontrar felicidade no serviço aos irmãos. Ensinai-nos a fazer com amor até as tarefas mais escondidas, sabendo que aos olhos de Deus não há trabalho pequeno quando é realizado por amor a Ele e ao próximo.

8º dia — A confiança na Providência

Toda a vida de Bakhita foi marcada por uma confiança inabalável na Providência divina. Costumava dizer que se abandonava à vontade do bom Mestre, certa de que Ele sabia o que era melhor para ela. Nas doenças e sofrimentos de seus últimos anos, repetia essa entrega serena, sem angústia nem revolta. Nós, tão ansiosos diante do futuro e das dificuldades, tantas vezes esquecemos que Deus é Pai providente que cuida de seus filhos. A confiança de Bakhita nos convida a depositar nas mãos de Deus todas as nossas preocupações. Peçamos hoje a graça de confiar plenamente na Providência, entregando ao Senhor nossos planos, temores e incertezas. Santa Josefina Bakhita, exemplo de abandono confiante, alcançai-nos a graça de descansar na vontade de Deus. Ensinai-nos a repetir, em toda circunstância, que tudo é para o nosso bem quando vem das mãos do bom Mestre. Livrai-nos da ansiedade e enchei nosso coração da paz que nasce da confiança em Deus.

9º dia — A esperança da glória eterna

Ao fim de sua vida, marcada por enfermidades dolorosas, Bakhita permaneceu serena e cheia de esperança, aguardando o encontro definitivo com o bom Mestre. Em seus últimos momentos, revivia lembranças da escravidão, mas seu olhar se voltava para o Céu, para onde caminhava com alegria. A morte era, para ela, a libertação plena e o abraço eterno com Deus. Nós, presos às coisas desta vida, muitas vezes tememos a morte e esquecemos a pátria celeste que nos aguarda. Bakhita nos ensina que toda a existência é peregrinação rumo à glória eterna. Ao concluir esta novena, peçamos a graça de viver na esperança do Céu, preparando-nos para o encontro com o Senhor. Santa Josefina Bakhita, que agora gozais da liberdade plena na glória, alcançai-nos a graça de perseverar na fé e no amor. Ensinai-nos a caminhar com esperança rumo à pátria eterna, para que também nós, libertados de toda escravidão, possamos contemplar convosco a face de Deus para sempre.

Ver todas as novenas →