Novena da Rainha Santa Isabel de Portugal
A rainha pacificadora; caridade aos pobres e o milagre das rosas · Festa: 4 de julho
A Rainha Santa Isabel de Portugal nasceu em 1271, filha do rei Pedro III de Aragão, e recebeu o nome de sua tia-avó, Santa Isabel da Hungria, de quem herdou também o espírito de caridade. Ainda jovem, casou-se com o rei Dom Dinis de Portugal e tornou-se rainha. No trono, jamais esqueceu os pobres: repartia com eles suas riquezas, fundava hospitais e albergues, dotava jovens sem recursos e socorria os famintos. Mais ainda, ficou célebre por sua ação como pacificadora, intervindo com prudência e mansidão para evitar guerras entre reinos e reconciliar seu próprio esposo e filho. Viúva, tornou-se terciária franciscana e morreu em 1336, em plena missão de paz.
Rezamos esta novena para alcançar de Deus o espírito de paz e de caridade que animou a Rainha Santa Isabel. Ela intercede de modo particular pela paz nas famílias e entre as nações, pela reconciliação dos inimigos, pelos pobres e famintos, pelas esposas que sofrem e por todos os que buscam ser instrumentos de concórdia. Sua vida mostra que também no meio das grandezas e responsabilidades do mundo é possível servir a Deus com fidelidade e semear a paz.
Reze esta novena durante nove dias consecutivos, de preferência preparando-se para a festa de 4 de julho, ou sempre que precisar implorar a paz em uma família, a reconciliação de pessoas em conflito ou o socorro nas necessidades materiais. Faça-a com o coração disposto ao perdão e à caridade, tomando por modelo aquela rainha que soube unir a coroa da terra à busca do Reino do Céu.
Dia 1 de 9
Como rezar esta novena
- Reze durante 9 dias seguidos, de preferência sempre no mesmo horário.
- Comece pela Oração inicial (a mesma em todos os dias).
- Leia e reze a meditação e a oração do dia correspondente, apresentando a sua intenção.
- Encerre com a Oração final.
Orações de todos os dias
Oração inicial
Ó Deus, autor da paz e amigo da caridade, que fizestes da Rainha Santa Isabel de Portugal um instrumento de concórdia entre os homens e uma mãe para os pobres, concedei-nos, por sua intercessão, um coração pacífico e generoso. Apagai de nós toda discórdia, rancor e egoísmo, e ensinai-nos a semear a paz onde há conflito e a socorrer os que sofrem. Acolhei os pedidos que ao longo destes nove dias colocamos diante de vós, e fazei que, à imitação desta santa rainha, busquemos acima de tudo o vosso Reino e a vossa justiça. Amém.
Oração final
Rainha Santa Isabel de Portugal, que trocastes as glórias da terra pela busca do Reino dos Céus e fostes pacificadora e mãe dos pobres, alcançai-nos a graça de sermos instrumentos da paz de Cristo. Levai ao Senhor as nossas súplicas e ensinai-nos a perdoar e a servir, até que um dia, reconciliados com Deus e com os irmãos, vos encontremos na paz eterna do Céu. Amém.
Os 9 dias da novena
1º dia — A coroa a serviço de Deus
Rainha Santa Isabel, o Senhor vos confiou o trono de Portugal, mas jamais confundistes a grandeza terrena com a verdadeira glória. Usastes vossa coroa não para o prazer e o poder, mas para servir a Deus e ao povo, sabendo que as honras deste mundo passam depressa. No meio das pompas da corte, guardastes um coração humilde e voltado para o Céu. Nós, quando alcançamos alguma posição, autoridade ou riqueza, facilmente nos enchemos de orgulho e esquecemos que tudo é dom de Deus e deve estar a serviço do bem. Ensinai-nos a viver os cargos e responsabilidades que temos como um serviço, e não como ocasião de vaidade. Que nunca ponhamos o coração nas honras passageiras, mas busquemos acima de tudo agradar a Deus. Rainha Santa Isabel, obtende-nos a graça de usar bem os dons e as posições que recebemos, e apresentai hoje ao Senhor o desejo de servi-lo em tudo o que somos e temos, para a sua maior glória.
2º dia — Mãe dos pobres
Rainha Santa Isabel, embora vivêsseis rodeada de riquezas, vosso coração pertencia aos pobres. Repartíeis com eles as vossas rendas, fundáveis hospitais e albergues, alimentáveis os famintos e vestíeis os desnudos. Tornastes-vos verdadeira mãe dos necessitados, que em vós encontravam amparo e ternura. Nós, muitas vezes, fechamos as mãos e o coração diante da pobreza, preocupados apenas com nosso próprio conforto e esquecidos dos que nada têm. Ensinai-nos a partilhar com generosidade aquilo que recebemos, a reconhecer no pobre o rosto de Cristo e a socorrê-lo com amor. Que a nossa fé se manifeste em obras concretas de misericórdia, e não apenas em palavras. Rainha Santa Isabel, despertai em nós a compaixão pelos necessitados e a alegria de dar, e apresentai hoje ao Senhor o propósito de socorrer os pobres que Ele colocar em nosso caminho, especialmente os que passam fome e vivem no abandono, pedindo a graça de os amarmos com obras.
3º dia — O milagre das rosas
Rainha Santa Isabel, conta a tradição que, levando escondido o pão para os pobres, fostes interpelada por quem desaprovava vossa generosidade. Ao serdes obrigada a mostrar o que carregáveis no regaço, os pães se converteram em rosas, sinal do agrado de Deus por vossa caridade oculta. Naquele prodígio, o Céu confirmou que as obras de misericórdia feitas com humildade florescem diante de Deus. Nós, muitas vezes, deixamos de fazer o bem por medo das críticas, ou fazemos o bem buscando aplausos e reconhecimento. Ensinai-nos a praticar a caridade em segredo, sem alarde, contentes que só Deus a veja, e a não recuar diante da incompreensão dos homens. Que as nossas mãos, cheias de bondade, produzam frutos de graça. Rainha Santa Isabel, obtende-nos a coragem de fazer o bem sem temor e sem vaidade, e apresentai hoje ao Senhor as obras de caridade que desejamos realizar, para que Ele as transforme em bênção para nós e para os que socorremos.
4º dia — Rainha da paz
Rainha Santa Isabel, ficastes conhecida na história como a rainha pacificadora, pois muitas vezes vos interpusestes entre reis e exércitos prestes a se lançarem à guerra, obtendo a reconciliação e evitando o derramamento de sangue. Com prudência, mansidão e oração, apagastes discórdias e semeastes a concórdia entre os povos. Bem-aventurados os pacíficos, dissera o Senhor, porque serão chamados filhos de Deus. Nós, ao contrário, alimentamos rivalidades, guardamos rancores e muitas vezes ateamos o fogo das brigas em vez de o apagar. Ensinai-nos a ser instrumentos de paz em nossa família, em nosso trabalho e em nossa comunidade, a evitar as contendas e a promover o entendimento. Que saibamos ceder por amor à paz e reconciliar os que estão divididos. Rainha Santa Isabel, obtende-nos o espírito pacificador de Cristo, e apresentai hoje ao Senhor todos os conflitos que dividem as pessoas e as nações, pedindo a paz para o mundo e para os corações.
5º dia — Paz e perdão na família
Rainha Santa Isabel, no seio de vossa própria casa conhecestes discórdias dolorosas, chegando vosso esposo, o rei, e vosso filho a se armarem um contra o outro. Foi então que, com coragem e amor, vos lançastes entre os dois exércitos para reconciliá-los, salvando pai e filho da guerra fratricida. Que exemplo para as famílias divididas! Também em nossos lares surgem desentendimentos, mágoas antigas e rupturas entre pais e filhos, irmãos e parentes. Ensinai-nos a ser artífices de reconciliação em nossa própria casa, a perdoar as ofensas recebidas, a dar o primeiro passo para a paz e a não deixar que o rancor destrua os laços de família. Que o amor vença as divisões e cure as feridas. Rainha Santa Isabel, obtende-nos um coração capaz de perdoar e reconciliar, e apresentai hoje ao Senhor todas as famílias feridas por conflitos e mágoas, especialmente a nossa, pedindo a graça da paz, do perdão e da união restaurada.
6º dia — Fidelidade e paciência no casamento
Rainha Santa Isabel, fostes esposa fiel e paciente do rei Dom Dinis, suportando com mansidão suas infidelidades e faltas, sem jamais deixar de o amar e de rezar por sua conversão. Vencestes o mal com o bem, e vossa paciência acabou por tocar o coração do esposo, que se reconciliou com Deus antes de morrer. Que lição de amor perseverante! Nós, diante das faltas e dificuldades do cônjuge, facilmente cedemos à impaciência, à revolta ou ao desejo de abandonar tudo. Ensinai as esposas e os esposos a amarem com fidelidade, a suportarem com paciência os defeitos um do outro, a rezarem uns pelos outros e a não desistirem do amor nas horas difíceis. Que o matrimônio seja vivido como caminho de santidade e de perdão mútuo. Rainha Santa Isabel, amparai de modo especial os que sofrem no casamento, e apresentai hoje ao Senhor todos os esposos em dificuldade, pedindo fidelidade, paciência e a graça da reconciliação e da fé.
7º dia — Vida de oração e penitência
Rainha Santa Isabel, no meio das ocupações do reino, jamais descuidastes da vida interior. Dedicáveis longas horas à oração, participáveis diariamente da Santa Missa, jejuáveis e fazíeis penitência, sustentando com a graça de Deus tudo o que realizáveis pelo bem do povo. A fonte de vossa caridade e de vossa paz estava na união constante com o Senhor. Nós, absorvidos pelas mil ocupações do dia, deixamos a oração em último lugar, como se pudéssemos fazer o bem sem a força que vem de Deus. Ensinai-nos a reservar tempo para a oração, a alimentar nossa alma nos sacramentos e a fazer da penitência uma companheira da caridade. Que a nossa ação brote sempre da contemplação e da intimidade com Deus. Rainha Santa Isabel, obtende-nos o amor à oração e à vida sacramental, e apresentai hoje ao Senhor o nosso desejo de nos unirmos mais a Ele, para que d'Ele venha a força de amar e servir os irmãos.
8º dia — O despojamento na viuvez
Rainha Santa Isabel, ao ficardes viúva, não vos apegastes às glórias passadas, mas abraçastes uma vida ainda mais entregue a Deus. Fizestes-vos terciária franciscana, vestistes o hábito da penitência e vivestes na simplicidade, dedicando os últimos anos aos pobres, à oração e às obras de misericórdia. Chegastes a peregrinar a Santiago de Compostela, despojada da grandeza real. Que liberdade de espírito! Nós nos prendemos ao passado, às honras e aos bens, e tememos perder aquilo que possuímos. Ensinai-nos o desapego das coisas da terra e a alegria de nos entregarmos mais plenamente a Deus, sobretudo nas mudanças e perdas da vida. Que saibamos ler nos acontecimentos, mesmo dolorosos, um chamado a nos aproximarmos mais do Senhor. Rainha Santa Isabel, obtende-nos a graça do desprendimento e da conversão contínua, e apresentai hoje ao Senhor o desejo de nos entregarmos cada vez mais inteiramente a Ele, buscando somente o seu Reino.
9º dia — A paz eterna do Céu
Rainha Santa Isabel, até o fim de vossa vida fostes fiel à vossa missão de paz, morrendo enquanto vos empenháveis em reconciliar reinos em discórdia. Assim, aquela que tanto amou a paz na terra entrou na paz eterna do Céu, onde hoje contemplais o Deus da concórdia. Vossa vida inteira foi um caminho de caridade e de reconciliação que teve por termo a glória. Nós, tantas vezes agitados e sem paz, esquecemos que fomos criados para a felicidade eterna e que só em Deus o coração encontra descanso. Ensinai-nos a viver em paz com Deus, conosco e com os irmãos, preparando-nos assim para a paz que não terá fim. Que semeemos a concórdia enquanto peregrinamos, para colhermos a alegria no Céu. Rainha Santa Isabel, obtende-nos a graça de uma vida pacífica e caridosa e de uma morte na amizade de Deus, e apresentai hoje ao Senhor o desejo de um dia vos encontrarmos na paz eterna do Paraíso.