Novena de Nossa Senhora do Desterro
A fuga para o Egito; amparo dos peregrinos, migrantes e desterrados · Festa: mês de agosto
Nossa Senhora do Desterro é venerada sob o mistério da fuga para o Egito, quando a Sagrada Família, avisada pelo anjo, deixou apressadamente a sua terra para escapar da fúria de Herodes. Maria, com o Menino Jesus nos braços e ao lado de São José, tornou-se peregrina em terra estrangeira, conhecendo de perto o sofrimento do exílio, da fuga e do desamparo. Por isso, Ela é invocada como Mãe e amparo de todos os peregrinos, migrantes e desterrados.
Rezamos esta novena para nos unirmos ao mistério do desterro da Sagrada Família e para pedir a proteção de Nossa Senhora sobre todos os que vivem longe da própria pátria, os que foram forçados a deixar seus lares, os que peregrinam sem rumo certo, e sobre nós mesmos, que somos peregrinos nesta terra a caminho da pátria celeste. Ela conhece o peso do exílio e ampara com ternura maternal a todos os que sofrem o desamparo.
Esta novena pode ser rezada ao longo do mês de agosto, ou em qualquer momento em que nos sintamos exilados, distantes de casa, sem raízes ou desamparados. Reze-a com o coração do peregrino, confiando à Senhora do Desterro todos os que estão longe de casa, os migrantes e refugiados, e a tua própria caminhada rumo ao lar definitivo que Deus preparou.
Dia 1 de 9
Como rezar esta novena
- Reze durante 9 dias seguidos, de preferência sempre no mesmo horário.
- Comece pela Oração inicial (a mesma em todos os dias).
- Leia e reze a meditação e a oração do dia correspondente, apresentando a sua intenção.
- Encerre com a Oração final.
Orações de todos os dias
Oração inicial
Ó Nossa Senhora do Desterro, Mãe peregrina que conhecestes o exílio e a fuga em terra estrangeira, a vós recorro com a confiança de quem se sente desamparado. Vós, que amparastes o Menino Jesus na fuga para o Egito, amparai também a mim e a todos os que peregrinam longe de casa. Consolai os desterrados, protegei os migrantes, guiai os peregrinos e conduzi-nos com segurança pela estrada da vida. Fazei que, no exílio deste mundo, jamais nos falte a esperança da pátria celeste, onde nos aguarda o abraço de Deus. Amparai-me, ó Mãe, nesta minha peregrinação. Amém.
Oração final
Ó Nossa Senhora do Desterro, recebei esta novena rezada com coração de peregrino. Amparai-me no exílio desta vida, protegei todos os desterrados e conduzi-me seguro até a pátria eterna, onde não haverá mais exílio nem lágrimas. Rogai por mim, Mãe peregrina. Amém.
Os 9 dias da novena
1º dia — A fuga para o Egito, mistério do exílio
Ó Nossa Senhora do Desterro, o anjo avisou a São José que fugisse com o Menino e a Mãe para o Egito, pois Herodes buscava a vida da criança. Assim, vós, que carregáveis nos braços o Rei do universo, tivestes de fugir como refugiada, deixando a vossa terra e enfrentando os perigos da estrada. Que mistério profundo é este: o Salvador do mundo experimentando, ainda menino, a dureza do exílio. Nesse mistério aprendemos que Deus se faz próximo dos que sofrem, dos que fogem, dos que não têm onde repousar. Ensinai-nos, ó Mãe, a acolher a vontade de Deus mesmo quando ela nos pede sacrifícios e mudanças difíceis. Neste primeiro dia, eu vos peço, ó Senhora do Desterro: dai-me a fé que confia em Deus mesmo nas horas de partida e incerteza; ensinai-me a seguir os seus caminhos, ainda que passem pelo exílio, sabendo que Ele nunca abandona os seus filhos.
2º dia — O amparo dos que fogem do perigo
Virgem do Desterro, a Sagrada Família fugiu de noite para escapar da espada de Herodes, e vós conhecestes o medo de quem foge para salvar a vida. Ainda hoje, quantos são obrigados a fugir de guerras, perseguições e violências, deixando tudo para trás em busca de segurança. O vosso coração maternal se comove diante desses filhos amedrontados e desamparados. Amparai, ó Senhora, todos os que fogem do perigo, protegei-os na fuga e conduzi-os a um lugar seguro. E a nós, que muitas vezes fugimos das nossas responsabilidades ou dos apelos de Deus, ensinai-nos a fugir apenas do pecado e a correr sempre para os vossos braços. Neste segundo dia, eu vos suplico, ó Mãe do Desterro: amparai todos os que fogem do perigo e da violência; protegei os perseguidos, dai-lhes refúgio seguro e alcançai a paz às terras dilaceradas pela guerra e pelo ódio, para que cessem as causas de tanto sofrimento.
3º dia — A proteção dos migrantes e forasteiros
Ó Nossa Senhora do Desterro, no Egito fostes forasteira em terra estranha, sem conhecer a língua, os costumes nem ter parentes que vos acolhessem. Sabeis por experiência própria o quanto é duro ser migrante, viver longe da pátria, começar a vida do zero em lugar desconhecido. Por isso sois a protetora especial de todos os migrantes e forasteiros que hoje buscam trabalho e dignidade longe de sua terra. Amparai-os, ó Mãe, na solidão do desenraizamento, dai-lhes acolhida e trabalho e não permitais que sejam explorados ou desprezados. E ensinai-nos a acolher o forasteiro com bondade, reconhecendo em cada migrante um irmão. Neste terceiro dia, eu vos peço, ó Senhora do Desterro: protegei todos os migrantes e forasteiros; dai-lhes acolhida, trabalho digno e paz no coração, e abri o nosso coração para recebermos com caridade os que chegam de longe, vendo em cada um a face de Cristo peregrino.
4º dia — O consolo dos que estão longe de casa
Virgem Santíssima do Desterro, longe da sua terra, o coração sente a saudade de casa, das pessoas queridas, do que era familiar e amado. Vós conhecestes essa saudade nos anos do Egito, longe de Nazaré e dos vossos parentes. Quantos hoje vivem longe de casa por causa do trabalho, dos estudos ou das circunstâncias da vida, e sentem o peso da distância e da solidão. Consolai, ó Mãe, todos esses corações saudosos, fazei-lhes sentir a vossa presença que nunca se ausenta e amenizai a dor da separação. E lembrai-nos de que, onde estivermos, Deus está conosco e vós nos acompanhais como Mãe fiel. Neste quarto dia, eu vos suplico, ó Senhora do Desterro: consolai todos os que estão longe de casa e dos seus; aliviai a saudade dos corações separados, protegei os ausentes e reuni um dia, na paz de Deus, os que a distância mantém apartados.
5º dia — O amparo das famílias em dificuldade
Ó Mãe do Desterro, no exílio a Sagrada Família permaneceu unida, e São José, com o trabalho de suas mãos, sustentou a Mãe e o Menino em terra estrangeira. Vós nos ensinais que, mesmo nas maiores dificuldades, a família unida encontra forças para atravessar as provações. Quantas famílias hoje passam por dificuldades: desemprego, separação, falta de moradia, conflitos que ameaçam destruir a união. Amparai, ó Senhora, todas as famílias em dificuldade, à imagem da vossa família peregrina. Dai aos pais o pão e o trabalho, mantende os lares unidos e fazei que, mesmo nas provações, o amor prevaleça sobre toda adversidade. Neste quinto dia, eu vos peço, ó Senhora do Desterro: amparai as famílias que passam por dificuldades; sustentai os que lutam pelo pão de cada dia, conservai a união dos lares ameaçados e fazei da Sagrada Família o modelo e a proteção de todas as famílias cristãs.
6º dia — A esperança no meio da provação
Virgem do Desterro, no Egito não sabíeis quanto tempo duraria o exílio, mas confiastes que Deus, no seu tempo, vos reconduziria à pátria. Essa esperança sustentou o vosso coração nos dias incertos da fuga. Também nós, em meio às provações da vida, muitas vezes não vemos o fim do túnel e nos deixamos abater pelo desânimo. Ensinai-nos, ó Mãe, a esperar como vós esperastes, com paciência e confiança, certos de que nenhuma provação dura para sempre e que Deus tem sempre um plano de amor para os seus filhos. A esperança é a luz que não se apaga na noite do exílio. Neste sexto dia, eu vos suplico, ó Senhora do Desterro: mantende viva em mim a esperança nas horas de provação; ensinai-me a confiar que Deus conduz a minha história e a esperar com paciência o tempo em que Ele transformará as minhas lágrimas em alegria.
7º dia — A caridade com os desamparados
Ó Nossa Senhora do Desterro, no exílio recebestes talvez a bondade de estranhos que vos acolheram, e sabeis o valor de um gesto de caridade para quem está desamparado. O Evangelho nos ensina que acolher o forasteiro é acolher o próprio Cristo, que se identifica com os pequeninos e necessitados. Muitas vezes, porém, fechamos os olhos ao sofrimento dos desamparados que cruzam o nosso caminho, indiferentes à sua dor. Ensinai-nos, ó Mãe, a praticar a caridade com os que nada têm, a estender a mão ao peregrino cansado, a partilhar o pão com o faminto. Assim seremos verdadeiros discípulos de vosso Filho. Neste sétimo dia, eu vos peço, ó Senhora do Desterro: dai-me um coração compassivo com os desamparados; ensinai-me a acolher, socorrer e amar os que sofrem o abandono e a reconhecer em cada necessitado o rosto de Cristo que bate à minha porta.
8º dia — A peregrinação da vida rumo à pátria
Virgem Santíssima do Desterro, a nossa vida inteira é uma peregrinação, um exílio longe da verdadeira pátria que é o céu. Aqui não temos morada permanente, mas caminhamos como forasteiros e peregrinos rumo ao lar definitivo que Deus nos preparou. Muitas vezes esquecemos essa verdade e nos apegamos às coisas passageiras, como se esta terra fosse a nossa morada eterna. Recordai-nos, ó Mãe, que somos peregrinos e que o nosso coração só encontrará descanso pleno em Deus. Ajudai-nos a não nos prendermos ao que passa, mas a caminhar com os olhos fixos na pátria celeste, usando bem o tempo do exílio. Neste oitavo dia, eu vos suplico, ó Senhora do Desterro: lembrai-me de que sou peregrino nesta terra; libertai o meu coração do apego às coisas passageiras e mantende vivo em mim o desejo da pátria celeste, para que eu caminhe sempre na direção de Deus.
9º dia — O retorno à pátria e o fim do exílio
Ó gloriosa Nossa Senhora do Desterro, morto Herodes, o anjo avisou São José para retornar com o Menino e a Mãe à terra de Israel, e assim terminou o vosso exílio. Esse retorno é figura do dia bendito em que também nós, terminada a peregrinação desta vida, retornaremos à pátria celeste, ao lar do Pai, onde não haverá mais exílio, nem lágrimas, nem separação. Ao término desta novena, elevo os olhos para essa esperança gloriosa, sabendo que o desterro da terra terá fim no abraço eterno de Deus. Vós, que fostes peregrina, sede a nossa guia segura até o lar definitivo. Não nos deixeis perder o caminho de volta à casa do Pai. Neste nono dia, eu vos peço, ó Senhora do Desterro: conduzi-me fielmente pela peregrinação desta vida; amparai-me na hora da minha morte, quando terminar o meu exílio, e levai-me convosco à pátria eterna, onde gozarei para sempre da felicidade de estar junto a Deus.