Mateus 7:4

Mateus 7:4
“Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho; e, eis uma trave no teu olho?”
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O que este versículo diz

Continuando a mesma cena, Jesus imagina o diálogo em que alguém se oferece, com ar solícito, para remover o cisco do olho do irmão — enquanto uma viga atravessa o seu próprio. A oferta parece bondosa, até prestativa, mas é internamente incoerente: como realizar uma tarefa que exige visão precisa se o próprio olhar está comprometido? A ironia desmascara o zelo corretivo que não passou antes pelo autoexame.

O versículo não condena a ajuda fraterna; condena a pressa de corrigir sem a humildade de se corrigir. Muitas relações se ferem justamente por conselhos oferecidos por quem ainda não tratou de si. Para o leitor, fica uma pergunta prática: quando me aproximo de alguém para apontar um erro, faço-o a partir de um lugar de verdade e mansidão, ou uso a falta do outro para não olhar a minha? A ordem que Jesus propõe é clara — primeiro dentro, depois fora.

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