Salmos 58:4
“O seu veneno é semelhante ao veneno da serpente; são como a víbora surda que tapa os ouvidos,”
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“O seu veneno é semelhante ao veneno da serpente; são como a víbora surda que tapa os ouvidos,”
O que este versículo diz
A denúncia agora se veste de imagens do mundo animal. O veneno desses homens é comparado ao da serpente, e em seguida à víbora "surda" que tapa os ouvidos. A metáfora é engenhosa: assim como se acreditava que certas serpentes resistiam ao encantador, esses injustos se fecham deliberadamente a toda voz que os corrigiria. A surdez, aqui, não é deficiência involuntária, mas escolha — uma recusa ativa de escutar.
Esse é talvez o traço mais perturbador do mal descrito no salmo: não a ignorância, mas a autoexclusão diante da verdade. Quem não quer ouvir se torna imune ao apelo, à razão e à compaixão. Para o leitor, o versículo é um espelho incômodo. Todos corremos o risco de "tapar os ouvidos" às vozes que nos convocam à mudança — a consciência, o conselho de quem nos ama, a Palavra. A oração que nasce daqui é simples e urgente: Senhor, não me deixes surdo à tua voz.