Rute 1:12
“Tornae, filhas minhas, ide-vos embora, que já mui velha sou para ter marido: ainda quando eu dissesse, Tenho esperança, ou ainda que esta noite tivesse marido e ainda parisse filhos,”
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“Tornae, filhas minhas, ide-vos embora, que já mui velha sou para ter marido: ainda quando eu dissesse, Tenho esperança, ou ainda que esta noite tivesse marido e ainda parisse filhos,”
O que este versículo diz
Noemi aprofunda o argumento com honestidade quase crua sobre a própria condição. Reconhece-se velha demais para casar novamente e ter filhos, e mesmo hipoteticamente, "ainda que esta noite tivesse marido" e concebesse, o socorro seria tarde demais. Ela desmonta, passo a passo, qualquer esperança de que as noras encontrem por meio dela a segurança do levirato. A repetição do apelo "tornai, filhas minhas" mostra o quanto insiste, por amor, na libertação delas.
Há algo profundamente humano nesse cálculo desesperançado. Noemi enxerga apenas impossibilidades, e nós, leitores, entendemos sua lógica. Contudo, a beleza do livro está em que Deus escreve certo por linhas que a matemática humana declara impossíveis. O futuro de Rute não dependeria de Noemi gerar filhos, mas da providência que já operava nos bastidores. Para nós, fica o alerta gentil: quando só conseguimos enumerar razões para desistir, talvez seja exatamente ali que a graça esteja preparando algo além do que nossos cálculos alcançam.