Números 5:19
“E o sacerdote a conjurará, e dirá áquela mulher: Se ninguem contigo se deitou, e se não te apartaste de teu marido pela imundícia, destas águas amargas, amaldiçoantes, serás livre”
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O que este versículo diz
O sacerdote pronuncia a primeira parte do juramento, e é decisivo notar por onde começa: pela hipótese da inocência. "Se ninguém contigo se deitou... serás livre" destas águas. Antes de qualquer maldição, o texto proclama a possibilidade da absolvição. A água amarga, para a mulher inocente, não terá poder algum; ela sairá livre. Essa ordem das palavras não é casual e ajuda a corrigir leituras que veem no ritual apenas ameaça. A primeira palavra dirigida à mulher é palavra de possível libertação.
Há aqui um princípio que atravessa toda a Escritura: diante de Deus, a inocência não tem o que temer da verdade. Para a mulher injustamente suspeita, submetida ao ciúme do marido, essa era talvez a única via de reabilitação pública possível naquela cultura. Para o leitor de hoje, o versículo sugere que a luz, embora possa assustar, é sobretudo aliada de quem nada esconde. Trazer-se diante da verdade de Deus é temível apenas para o que precisa ser escondido, e libertador para o coração limpo.