Números 11:5

Números 11:5
“Lembramo-nos dos peixes que no Egito comíamos de graça; e dos pepinos, e dos melões, e dos pórros, e das cebolas, e dos alhos.”
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O que este versículo diz

A memória do Egito aparece embelezada e seletiva. O povo lembra dos peixes "comidos de graça", dos pepinos, melões, alhos e cebolas, e esquece que essa comida vinha temperada pela escravidão. É o mecanismo enganoso da nostalgia: idealiza-se o passado até que a servidão pareça liberdade e o pão da opressão pareça banquete gratuito. A lista concreta de alimentos torna a cena quase palpável e mostra como o desejo se prende a detalhes muito específicos.

Esse versículo retrata uma tentação humana perene. Diante das dificuldades do presente, o coração reescreve a história e faz do cativeiro um lugar saudoso. Muitos leitores reconhecerão em si esse movimento: em tempos de prova, sentimos falta de situações que, quando as vivíamos, nos aprisionavam. A fé pede honestidade com a memória. Aquilo que Deus nos tirou, mesmo quando dói deixar, quase sempre nos escravizava mais do que confessávamos naquele momento.

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