Jó 24:5
“Eis que, como jumentos montezes no deserto, saem à sua obra, madrugando para a preza: o campo raso dá mantimento a eles e aos seus filhos.”
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O que este versículo diz
A partir daqui, Jó descreve a vida dos próprios pobres, reduzidos a uma existência quase selvagem. Compara-os a "jumentos monteses", os asnos selvagens do deserto, que saem de madrugada em busca de alimento. Assim os miseráveis levantam cedo para o trabalho penoso, catando no "campo raso", na terra árida, o mínimo para si e para os filhos.
A imagem é comovente porque une dignidade e desamparo: eles trabalham duro, madrugam, esforçam-se — não são preguiçosos —, mas a opressão os empurrou para um limite tão baixo que precisam procurar comida como animais que vagam por conta própria. O deserto, sem dono e sem lei, torna-se o único lugar que lhes resta. Jó desmonta assim a ideia simplista de seus amigos, de que quem sofre pecou e quem se esforça prospera. Aqui há quem se esforce e continue faminto. É um chamado a não confundir pobreza com preguiça, nem sofrimento com castigo merecido.