Jeremias 4:31
“Porquanto ouço uma voz, como de uma que está de parto, uma angústia como da que está com dôres de parto do primeiro filho; a voz da filha de Sião, ofegante, que estende as suas mãos, dizendo: Oh! ai de mim agora, porque já a minha alma desmaia por causa dos matadores. ”
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O que este versículo diz
O capítulo se encerra com um som pungente: a voz da "filha de Sião" como a de uma mulher em trabalho de parto, gemendo com "dores do primeiro filho". A imagem une dor extrema e algo de nova, pois o parto é sofrimento que costuma trazer vida. Mas aqui o quadro é de angústia: ela está "ofegante", estende as mãos em súplica e clama "ai de mim!", pois sua alma "desmaia por causa dos matadores". O grito final ecoa o "ai de nós" já ouvido antes, fechando o capítulo em lamento.
E, no entanto, há uma ambiguidade cheia de esperança na figura do parto. A tradição de leitura vê nas dores de Sião não apenas o fim, mas a possibilidade dolorosa de um recomeço. O sofrimento do juízo, quando conduz ao arrependimento, pode ser como as dores que precedem uma nova vida. Para o leitor, o capítulo termina deixando aberta a pergunta do seu início: converter-se e voltar. As mãos estendidas da filha de Sião ainda podem, no clamor, alcançar o Deus que desde o versículo 1 esperava por seu retorno.