Isaías 44:20

Isaías 44:20
“Apascenta-se de cinza: o seu coração enganado o desviou; de maneira que já não pode livrar a sua alma, nem dizer: Porventura não ha uma mentira na minha mão direita?”
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O que este versículo diz

O profeta encerra a sátira com uma imagem triste e definitiva: o idólatra "apascenta-se de cinza". Ele se alimenta do que não nutre, sustenta a vida com o que é resto de fogo, pó sem substância. A causa é diagnosticada com precisão: "o seu coração enganado o desviou". O autoengano tornou-se tão profundo que a pessoa já não consegue libertar a própria alma nem sequer perguntar-se "não há uma mentira na minha mão direita?". Perdeu a capacidade de reconhecer que segura uma falsidade.

Esse é o efeito mais grave da idolatria: ela nos aliena de nós mesmos a ponto de não vermos o óbvio. Um coração enganado engana-se sobre o próprio engano. O versículo é um espelho desconfortável e necessário. Todos corremos o risco de nos alimentar de cinzas, de investir a vida no que não sacia, e de perder até a lucidez para questionar. A pergunta que o idólatra já não faz é a que precisamos manter viva: haverá alguma mentira naquilo que seguro com tanta firmeza?

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