Gênesis 30:14
“E foi Ruben nos dias da sega do trigo, e achou mandrágoras no campo. E trouxe-as a Leah, sua mãe. Então disse Rachel a Leah: Ora dá-me das mandrágoras do teu filho.”
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“E foi Ruben nos dias da sega do trigo, e achou mandrágoras no campo. E trouxe-as a Leah, sua mãe. Então disse Rachel a Leah: Ora dá-me das mandrágoras do teu filho.”
O que este versículo diz
A cena muda para o campo, no tempo da colheita do trigo. O pequeno Rúben encontra mandrágoras, planta a que a antiguidade atribuía poderes afrodisíacos e favorecedores da fertilidade, e as leva à mãe. Raquel, ainda ansiosa por conceber, pede a Lia uma parte delas. O detalhe é humano e revelador: Raquel, a amada, recorre a um suposto remédio popular, misturando esperança e superstição em sua longa espera.
O pedido reabre feridas antigas entre as irmãs, como o versículo seguinte mostrará. É interessante que o texto não afirma que as mandrágoras funcionaram; será Deus, mais adiante, quem se lembrará de Raquel. A Escritura parece deixar no ar uma ironia gentil: a fecundidade não virá da planta, mas da ação divina no tempo certo. Para o leitor, fica um espelho de nossas próprias buscas ansiosas por soluções mágicas quando a resposta demora. Nem toda espera se resolve com atalhos; muitas vezes ela pede confiança de que Deus não esqueceu, ainda que o silêncio pareça longo.