Gênesis 15:3
“Disse mais Abrão: Eis que me não tens dado semente, e eis que um nascido na minha casa será o meu herdeiro.”
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“Disse mais Abrão: Eis que me não tens dado semente, e eis que um nascido na minha casa será o meu herdeiro.”
O que este versículo diz
Abrão insiste, e a repetição não é redundância, mas o peso de uma dor que precisa ser dita duas vezes. Ele nomeia o problema em termos jurídicos e afetivos ao mesmo tempo: não há "semente", isto é, descendência, e por isso um "nascido na minha casa", um servo criado sob seu teto, terminaria como herdeiro. A palavra semente reaparecerá em todo o capítulo como fio condutor da promessa; aqui ela marca justamente sua ausência.
O patriarca já recebera a garantia de uma grande nação lá em Gênesis 12, mas os anos passaram e o ventre de Sara continuava fechado. Sua queixa revela a tensão de crer numa promessa que o tempo parece desmentir. É consolador notar que Deus não repreende essa sinceridade. Diante das promessas que demoram, o crente é convidado não ao fingimento espiritual, mas a levar honestamente ao Senhor o descompasso entre o que foi prometido e o que ainda se vê.