Ester 4:1
“Quando Mardoqueo soube tudo quanto havia passado, rasgou Mardoqueo os seus vestidos, e vestiu-se de um saco com cinza, e saiu pelo meio da cidade, e clamou com grande e amargo clamor;”
Ouça Ester 4:1
“Quando Mardoqueo soube tudo quanto havia passado, rasgou Mardoqueo os seus vestidos, e vestiu-se de um saco com cinza, e saiu pelo meio da cidade, e clamou com grande e amargo clamor;”
O que este versículo diz
O capítulo se abre logo depois do decreto de extermínio articulado por Hamã no capítulo anterior. Mardoqueu, que nunca escondera sua condição de judeu, reage de modo público e inconfundível: rasgar as vestes, cobrir-se de pano de saco e cinza e clamar em alta voz eram os gestos tradicionais do luto e da aflição extrema no antigo Oriente. Não se trata de um desabafo qualquer, mas de um lamento ritualizado, que expunha diante de toda a cidade a dor de um povo condenado.
O texto sublinha que ele saiu "pelo meio da cidade", isto é, não escondeu sua angústia. Há aqui uma dignidade na dor: quando o mal é grande, o silêncio pode ser cumplicidade, e o pranto sincero é o primeiro passo da resistência. Para o leitor, fica o convite a não anestesiar o coração diante da injustiça alheia, mas a permitir que ela o comova de verdade, como comoveu Mardoqueu.