Cânticos 8:5

Cânticos 8:5
“Quem é esta que sobe do deserto, e vem encostada tão aprazivelmente ao seu amado? Debaixo de uma macieira te despertei, ali te produziu tua mãe com dores; ali te produziu com dores aquela que te pariu.”
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O que este versículo diz

Aqui muda a voz: alguém pergunta, admirado, quem é aquela que sobe do deserto "encostada" com doçura ao amado. A pergunta ecoa uma cena anterior do poema e sugere movimento, chegada, um casal que avança apoiado um no outro. A imagem do deserto atravessado juntos evoca a travessia da vida a dois: os lugares áridos ficam mais suportáveis quando não se caminha sozinho.

Na segunda metade, a voz recorda a macieira sob a qual o amor despertou — a mesma árvore ligada, alguns versos antes, à sombra e ao fruto doce. Menciona-se ainda o nascimento sob aquela árvore, entrelaçando amor e origem, prazer e dores do parto, num só lugar. A vida se enraíza onde o amor se dá. Para o leitor, fica a sugestão delicada de que os afetos têm geografia e memória: há sempre um lugar, uma árvore, um chão onde algo importante começou e ao qual vale a pena voltar com gratidão.

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