Cânticos 7:4
“O teu pescoço como a torre de marfim: os teus olhos como os viveiros de Hesbon, junto à porta de Bat-arabim: o teu nariz como torre do Líbano, que olha para Damasco.”
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O que este versículo diz
O elogio agora sobe ao pescoço e ao rosto, e as imagens tornam-se monumentais e geográficas. A "torre de marfim" sugere porte altivo e nobre; os olhos são comparados aos açudes, ou tanques, de Hesbom, cidade a leste do Jordão, junto a uma de suas portas — águas serenas e profundas, imagem de olhar límpido e tranquilo. O nariz é como "a torre do Líbano que olha para Damasco", uma referência a alguma fortificação conhecida voltada para o norte, evocando firmeza e beleza imponente.
Essas comparações, estranhas ao ouvido de hoje, pertencem ao repertório poético do antigo Oriente, que via na paisagem e na arquitetura sinais de grandeza e dignidade. O amado enxerga na amada algo régio, sólido, admirável. Para nós, fica o convite a olhar as pessoas com essa amplitude generosa, reconhecendo nelas grandeza e não apenas defeitos. Amar é, em parte, aprender a contemplar o outro com olhos capazes de ver beleza onde a pressa só vê o comum.