2 Samuel 15:4
“Dizia mais Absalão: Ah, quem me dera ser juiz na terra! para que viesse a mim todo o homem que tivesse demanda ou questão, para que lhe fizesse justiça.”
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“Dizia mais Absalão: Ah, quem me dera ser juiz na terra! para que viesse a mim todo o homem que tivesse demanda ou questão, para que lhe fizesse justiça.”
O que este versículo diz
Absalão dá um passo além e verbaliza sua ambição disfarçada de desejo altruísta: quem me dera ser juiz na terra, para fazer justiça a todos. A frase soa generosa, mas encobre a cobiça pelo poder. Ele se oferece como a solução para o problema que ele mesmo vinha inflando nas conversas anteriores. É o método completo do sedutor político: primeiro cria a insatisfação, depois se apresenta como remédio. A promessa de justiça rápida e acessível é atraente porque toca uma necessidade verdadeira, mas nas mãos de Absalão é apenas isca. O contraste com o pai é doloroso, pois Davi fora ungido justamente por ter coração segundo Deus, e agora o filho imita a linguagem da vocação para servir à própria vaidade. O leitor é convidado a desconfiar das promessas grandiosas que colocam uma só pessoa como salvadora de tudo. A verdadeira justiça não se constrói sobre a autopromoção, mas sobre a humildade de quem serve sem buscar o trono.