2 Crônicas 18:7
“Então o rei de Israel disse a Josafat: Ainda ha um homem por quem podemos consultar ao Senhor; porém eu o aborreço; porque nunca profetiza de mim bem, senão sempre mal; este é Micha, filho de Imla. E disse Josafat: Não fale o rei assim”
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O que este versículo diz
Acabe admite que existe mais um profeta, Micaías, filho de Inlá, mas confessa: "eu o aborreço; porque nunca profetiza de mim bem, senão sempre mal." A frase desnuda o coração do rei. Ele não julga o profeta pela verdade do que anuncia, mas pelo agrado ou desagrado que suas palavras lhe causam. Micaías é odiado não por mentir, e sim por dizer o que Acabe não quer ouvir. Josafá reage com decoro: "Não fale o rei assim."
Aqui está retratada uma das mais sutis armadilhas do coração humano: medir a verdade pelo conforto que ela nos traz. Quem só suporta vozes que o elogiam acaba cercado de mentiras agradáveis. É próprio da graça amadurecida aprender a amar quem nos corrige, ainda que doa. Vale examinar como reagimos às pessoas que costumam nos dizer verdades incômodas — amigos francos, conselheiros firmes, a própria consciência. Aborrecê-las por causa da mensagem é sinal de que preferimos a ilusão. Acabe já havia decidido a guerra; só faltava silenciar a única voz capaz de detê-lo.